Paris, 26 dez (EFE).- O líder do grupo militar golpista na Guiné, capitão Moussa Dadis Camara, afirmou que os militares que lidera não pretendem ficar eternamente no poder, e acrescentou que tem a intenção de convocar eleições em dezembro de 2010.

"Somos patriotas, não somos ambiciosos de poder, não temos nenhuma intenção de nos eternizar no poder", afirmou Camara, em declarações emitidas hoje pela "France 24".

Em um carro no qual fazia uma viagem triunfal no meio de pessoas que o aclamavam, o militar deu, diante das câmeras da rede de televisão francesa, garantias de que, após um mandato previsto de "18" meses, "deveremos organizar eleições livres e transparentes de forma digna para honrar a Guiné e o Exército guineano".

A emissora de rádio francesa "France Info" reproduziu outras palavras pronunciadas pelo líder golpista após receber ontem membros do Governo guineano, nas quais insistia na idéia de que "esta tomada de poder é uma transição até eleições transparentes e livres em dezembro de 2010".

Depois dessa data, acrescentava na presença de vários ministros, "vamos voltar aos quartéis e lhes dar as rédeas do comando".

O capitão, presidente do autodenominado Conselho Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento (CNDD), tinha ordenado na quarta-feira ao primeiro-ministro, Ahmed Tidiane Souaré, que se apresentasse junto com seu gabinete na base militar onde os golpistas têm seu quartel-general.

Alpha Condé, um dos principais opositores do ex-presidente guineano falecido, Lansana Conté, rejeitou o cenário de um Governo militar e exigiu "eleições livres e transparentes antes do final de 2009, preferencialmente antes de maio".

"Não queremos um Governo militar", disse Condé, em entrevista publicada hoje pelo "Le Parisien", na qual considerou que os militares deveriam se limitar a realizar um controle que garantisse que o Executivo que entrar em funções respeite um mapa de caminho para a convocação de eleições livres. EFE ac/an

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