Líder francês propõe mapa para a paz no Oriente Médio em 1 ano

Em discurso na Assembleia Geral, Sarkozy propõe que ONU conceda status de Estado observador a palestinos

iG São Paulo |

AP
Presidente francês, Nicolas Sarkozy, discursa na 66ª sessão da Assembleia Geral da ONU em Nova York
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, propôs nesta quarta-feira que a Organização das Nações Unidas (ONU) conceda aos palestinos o status de Estado observador, enquanto se estabelece um mapa para a paz dentro de um ano.

Em um discurso à Assembleia Geral da ONU, Sarkozy advertiu que o veto do Conselho de Segurança da ONU às ambições palestinas por um Estado arrisca deflagrar um novo ciclo de violência no Oriente Médio. "Cessemos nossos debates intermináveis sobre os parâmetros e comecemos a negociação... para um cronograma preciso", afirmou.

No mapa do caminho para a paz, Sarkozy disse que as negociações deveriam começar dentro de um mês, em seis meses seria fechado um acordo sobre as fronteiras e a segurança, enquanto o acordo definitivo seria selado em um ano.

"Hoje estamos diante de uma escolha muito difícil. Cada um de nós sabe que a Palestina não pode obter imediatamente o reconhecimento pleno e completo do status de Estado membro das Nações Unidas ", afirmou. "Mas quem duvida que um veto no Conselho de Segurança arrisca deflagrar um ciclo de violência no Oriente Médio?"

Sarkozy disse que não se exclui um estágio intermediário. "Por que não prever oferecer à Palestina o status de Estado observador nas Nações Unidas? Isso seria um importante passo adiante. Mais importante, isso significaria sair do estado de imobilidade que favorece apenas os extremistas. Estaríamos restaurando a esperança marcando o progresso rumo ao status final", disse.

Os palestinos já disseram que, como alternativa ao Conselho de Segurança, onde os EUA prometeram vetar qualquer aprovação de uma condição de Estado , pediriam que a Assembleia Geral da ONU aprovasse a mudança do status deles de "entidade" para "estado observador não-membro".

Um porta-voz do presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que Abbas estudará as propostas de Sarkozy.

Discurso de Obama

As declarações de Sarkozy precederam às da presidenta brasileira, Dilma Rousseff , que defendeu o reconhecimento de um Estado palestino pela ONU , e às do presidente dos EUA, Barack Obama, que pressionou Israel e os palestinos a retomar as negociações de paz. " Não há atalho para o fim de um conflito que se prolonga por décadas. A paz é um trabalho duro. A paz não será alcançada por meio de declarações e resoluções nas ONU", disse.

Em meio a problemas econômicos e números baixos nas pesquisas domésticas e dúvidas crescentes sobre sua liderança no exterior, Obama mantém sua diplomacia para o Oriente Médio em um momento crítico para sua presidência e para a credibilidade dos EUA no mundo.

O governo Obama e Israel dizem que apenas negociações de paz diretas podem levar à paz com os palestinos, que por sua vez afirmam que quase duas décadas de negociações infrutíferas não lhes deixaram escolha a não ser apelar para o órgão mundial.

O drama sobre o pedido palestino na ONU aconte enquanto os líderes americano, israelense e palestino lidam com a consequência de levantes árabes que estão criando novas tensões políticas no Oriente Médio.

Observando as profundas frustrações sobre a falta de progresso no front israelense e palestino, Obama disse: "Os israelenses devem saber que qualquer acordo fornece garantias para a segurança deles. Os palestinos merecem saber a base territorial de seu Estado".

*Com Reuters

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