Líder francês nega financiamento político ilegal e apoia ministro

Em sua primeira manifestação pública sobre denúncia de caixa 2, Sarkozy nega que titular da pasta do Trabalho renunciará

iG São Paulo |

AFP
Líder francês, Nicolas Sarkozy, concede entrevista ao canal France 2 no Palácio do Eliseu, em Paris

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, reafirmou nesta segunda-feira seu apoio ao ministro do Trabalho, Eric Woerth, enfraquecido por um escândalo político-fiscal em torno da herdeira da l'Oréal, Liliane Bettencourt, e negou com veemência ter recebido ele próprio dinheiro da mulher mais rica da França.

Em entrevista de uma hora transmitida no horário nobre da TV francesa, Sarkozy afirmou que Woerth não renunciará. "Eric Woerth é um homem profundamente honesto que vem sendo alvo de calúnias e mentiras", declarou no canal France 2, durante a primeira intervenção pública sobre o assunto que vem desestabilizando seu governo.

Woerth foi acusado de conflitos de interesse, principalmente em matéria fiscal, e de financiamento político ilegal da campanha de Nicolas Sarkozy em 2007, através de um envolvimento com a herdeira do grupo L'Oréal, de 87 anos.

AP
Ministro do Trabalho francês, Eric Woerth, deixa Palácio do Eliseu. Woerth é suspeito de receber fundos ilegais para campanha presidencial de 2007
No dia 6, o site Mediapart informou que Claire Thiboult, a antiga contadora da multimilionária Bettencourt teria declarado que Woerth, que foi tesoureiro da campanha presidencial de Sarkozy em 2007, teria recebido ilegalmente um total de 150 mil de euros da herdeira da L'Oréal para ajudar o partido governista União do Movimento Popular (UMP) na disputa. 

O nome de Woerth também foi mencionado em gravações que foram vazadas pelo mordomo de Bettencourt, nas quais se sugere que ela tentou evadir o fisco. Ele foi criticado por "conflito de interesse", porque, além de ser tesoureiro do UMP na época, sua esposa Florence administrava uma parte da fortuna de Bettencourt.

Mas no domingo um relatório da Inspeção Geral de Finanças , publicado pelo Ministério de Orçamentos da França, afirmou que o ministro do Trabalho não interveio para conceder privilégios fiscais à herdeira da L'Oréal.

Além de titular da pasta do Trabalho e tesoureiro da UMP, Woerth é artífice da reforma da previdência que chegará ao Conselho de Ministros na terça-feira. Essa reforma - que deve estabelecer a idade mínima de 62 anos, em vez de 60 - deve ser votada pelo Parlamento até o final de outubro.

Na entrevista ao Canal France 2, Sarkozy reafirmou que Woerth tem sua "total confiança". "Ele será o ministro que defenderá a tão necessária reforma previdenciária de acordo com a agenda estipulada."

O líder francês disse que pedirá ao Parlamento que estabeleça uma comissão para elaborar diretrizes "para evitar todas as formas de conflito de interesses no futuro".

Ele também confirmou a realização de uma reforma ministerial em outubro, após a votação do novo sistema de aposentadorias, apresentado como o texto mais importante da segunda parte de seu mandato. "Haverá uma nova etapa da vida política após a modificação do sistema de aposentadorias", declarou.

A entrevista de Sarkozy ocorreu horas depois de agentes financeiros da França inspecionarem o apartamento de Paris do fotógrafo François-Marie Banier, que é amigo da herdeira da L'Oréal. Banier é acusado pela filha de Bettencourt de faturar milhões se aproveitando da fragilidade da bilionária de 87 anos.

*BBC, EFE e AFP

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