O líder do grupo islâmico no exílio Hamas, Khaled Mechaal, classificou neste domingo de tragédia o atual bloqueio imposto por Israel à Faixa de Gaza e denunciou o silêncio dos países árabes e muçulmanos sobre o tema.

"O que acontece em Gaza é uma tragédia. Vergonha dos que mantêm silêncio sobre o crime do bloqueio imposto a Gaza. Vergonha dos regimes árabes e muçulmanos e da comunidade internacional", denunciou Mechaal, no início de uma reunião em Damasco sobre o direito dos refugiados palestinos de retorno às suas terras.

Segundo o líder do Hamas, que vive exilado na capital síria, "cada Estado árabe pode enviar um navio para Gaza", região submetida desde junho de 2007 a um bloqueio israelense que foi reforçado em 5 de novembro com o fechamento de todos seus pontos de passagem, devido ao aumento da violência e aos disparos de foguetes por parte dos grupos radicais palestinos contra o Estado hebreu.

Mechaal também considerou que a volta dos palestinos da diáspora é "um direito natural garantido pelas leis internacionais".

Ele pediu aos países árabes que recebam os refugiados palestinos que "buscarem o direito de uma vida honrosa e não os obriguem a emigrar para os países escandinavos, ou da América Latina".

Cerca de 760.000 palestinos se viram obrigados a se exilar, após a criação do Estado de Israel, em 1948.

Atualmente, seriam pelo menos 4,3 milhões de exilados palestinos, espalhados por Jordânia, Líbano, Síria, Faixa de Gaza e Cisjordânia, de acordo com números da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA). Na Síria, hoje vivem cerca de 500.000 refugiados palestinos.

Mechaal classificou a eleição de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos de "grande mudança" no cenário internacional.

"Peço aos árabes que não se apressem a propor novas iniciativas (de paz com Israel). É Obama que deve apresentar algo aos árabes", completou.

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