Caracas, 15 fev (EFE).- O líder estudantil venezuelano David Smolansky, que faz oposição à Hugo Chávez, admitiu a vitória eleitoral do presidente no referendo que lhe permite concorrer à reeleição, mas denunciou vantagismo e abuso de poder.

"Aceitamos os resultados (...), mas devemos denunciar o vantagismo e o abuso de poder do Governo, além da criminalização do movimento estudantil", explicou Smolansky na primeira declaração de setores opositores, após serem conhecidos os resultados divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

O líder estudantil destacou que o movimento estudantil se consolida como uma verdadeira plataforma e apostou pela paz, pela reconciliação nacional e pelos canais de debate.

Smolansky falou para centenas de seguidores que não escondiam sua decepção com os resultados, a quem lembrou que "tinham assumido papéis fundamentais para a Venezuela".

"Seguimos pensando que o único fim daqueles que promoveram o sim é se perpetuar, se aquartelar no poder", disse o líder opositor.

"Temos certeza de que a história nos dará a razão, que as lideranças únicas, pessoais, estão erradas, já que nós acreditamos na liderança coletiva, em equipe, onde possa haver diferenças", acrescentou.

"Os estudantes continuam de pé, nosso compromisso é com a Venezuela. Isto não é uma corrida de cem metros, é uma maratona. Que fique muito claro que o revezamento e o futuro estão garantidos", concluiu o Smolansky.

Já Yon Goicochea, antigo líder estudantil, declarou à Agência Efe que aceita os resultados, mas não aceita a realidade de seu país.

Goicochea destacou que a diferença de cerca de um milhão de votos reflete que "a oposição vem crescendo" e que o apoio ao Governo "vem caindo".

"Os estudantes mostraram que há uma alternativa de mudança que vem se fortalecendo" assinalou, mas que é preciso saber ganhar e saber perder.

"A partir de amanhã queremos um Governo que governe, queremos ver que os números de insegurança caírem, que haja mais possibilidades para todos os venezuelanos", acrescentou Goicochea que em dezembro de 2007 liderou as manifestações para se opor à reforma constitucional, que acabou sendo rejeitada nas urnas na época por uma estreita margem percentual. EFE afs/ma

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