Líder do Sudão do Sul faz juramento como presidente do novo país

Salva Kir assinou Constituição transitória, em meio a celebrações pela independência do país africano

iG São Paulo |

O lider Salva Kiir prestou juramento neste sábado como primeiro presidente do Sudão do Sul, pouco depois da proclamação de independência no novo país africano, que passa a ser oficialmente separado do norte.

Kiir assinou a Constituição transitória e prestou juramento, comprometendo-se a "favorecer o desenvolvimento e o bem-estar do povo do Sudão do Sul".

O Sudão do Sul se proclamou independente neste sábado, separando-se do norte depois de cinco décadas de conflitos que mergulharam o novo país em uma miséria da qual espera sair graças a suas ricas reservas de petróleo.

AFP
Imagem de Salva Kir é vista na capital Juba, para as celebrações de independência do Sudão do Sul, na capital Juba (8/7)
Uma multidão saiu às ruas de Juba à meia-noite de sexta-feira para sábado, para celebrar a proclamação da independência.

Ao soar os sinos de meia-noite, uma explosão de alegria comemorou a chegada do primeiro dia de vida do novo Estado. "Somos livres! Somos livres! Adeus ao norte, bem-vinda a felicidade!", clamava em meio à multidão Mary Okach.

"Lutamos muitos anos e esse é nosso dia, vocês não podem imaginar como me sinto", declarou por o estudante universitário Andrew Nuer, 27 anos, que viajou do Cairo especialmente para assistir aos festejos da independência.

O ruído era ensurdecedor na capital do novo Estado, cujo céu iluminou-se com fogos de artifício enquanto carros e ônibus repletos de pessoas que percorriam as ruas com bandeiras do Sudão do Sul em suas portas e janelas, enquanto os motoristas buzinavam.

Líderes

Horas antes da meia-noite, diversos líderes mundiais, entre eles 30 líderes africanos e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chegaram a Juba para as comemorações da independência do novo Estado. "O povo do Sudão do Sul realizou seu sonho. A ONU e a comunidade internacional continuará do lado do Sudão do Sul", declarou Ban Ki-moon ao chegar ao aeroporto da capital.

Na sexta-feira, o governo sudanês de Cartum reconheceu nesta sexta-feira a futura República do Sudão do Sul, apesar de questões-chave ainda precisarem ser resolvidas entre ambos os países, como o estatuto das províncias fronteiriças em disputa.

Neste sábado, o presidente americano, Barack Obama, anunciou que os Estados Unidos reconhecem formalmente a República do Sudão do Sul. "Em um momento em que sudaneses do sul empreendem a dura tarefa de construir seu novo país, os Estados Unidos prometem acompanhá-los enquanto buscarem segurança, desenvolvimento e um governo responsável, que realize suas aspirações e respeite os direitos humanos", disse o presidente americano em comunicado.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, também anunciou o reconhecimento oficial por parte do Reino Unido. "Nós acolhemos o Sudão do Sul na comunidade de nações e e estamos ansiosos para estabelecer laços mais estreitos entre o Reino Unido e o Sudão do Sul nos próximos meses e anos vindouros", afirmou Cameron em texto oficial.

Guerras

Entre 1955, um ano antes da independência da Sudão (até então uma colônia anglo-egípcia), e 2005 os rebeldes sulistas entraram em duas guerras contra Cartum reclamando maior autonomia. Os conflitos arrasaram a região, deixaram milhões de mortes e levara à desconfiança recíproca entre os dois lados do país.

O acordo de paz firmado em 2005 pelo líder dos rebeldes John Garang - alguns meses antes de sua morte num acidente de helicóptero - e o então presidente do Sudão Ali Osman Taha abriu um novo capítulo que possibilitou o referendo sobre a independência, realizado em janeiro deste ano.

A nova nação deve enfrentar grandes desafios, como os confrontos na fronteira que já provocaram 1,8 mil mortes neste ano, problemas de infraestrutura, um dos indicadores sociais menos desenvolvidos do mundo, negociações sobre a separação de bens e a reestruturação de setores com o Norte.

*Com AFP

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