Líder do Sendero Luminoso anuncia suspensão de ações militares

Lima, 27 jan (EFE).- O líder da organização Sendero Luminoso no vale do Alto Huallaga, Filomeno Cerrón Cardoso, conhecido como camarada Artemio, anunciou a suspensão das ações militares de seu grupo e pediu ao Governo peruano para dialogar.

EFE |

"Este é um anúncio de suspensão das ações militares e vamos limitar à agitação e à propaganda, (mas) responderemos caso atacados", disse "Artemio" à rádio "Amistad", da região de Ucayali, em conversa reproduzida pela "RPP".

O líder do Sendero Luminoso em uma das regiões mais conhecidas pelos cultivos de folha de coca e produção clandestina de cocaína acrescentou que não são terroristas, nem "narcoterroristas", em referência ao adjetivo dado pela Polícia peruana nos últimos anos por sua aparente aliança com as máfias da droga.

"Artemio" liderava um dos grupos que defendiam a linha histórica do Sendero Luminoso, fundado por Abimael Guzmán em 1980, mas suas atividades contra as Forças Armadas e o Estado foram praticamente nulas nos últimos anos.

As buscas policiais se concentraram nos remanescentes da organização no vale dos rios Apurímac e Ene, onde atuam os camaradas "José" e "Raúl".

"Queremos que o povo entenda que nos sentimos envergonhados pelos danos que provocamos e pedimos perdão pelas famílias que enlutamos", acrescentou "Artemio".

Além disso, o líder do Sendero Luminoso sugeriu convocar "o Conselho de Ministros, o comando conjunto das forças armadas, os políticos, os organismos mediadores internacionais, a Cruz Vermelha Internacional e a Igreja Católica a fim de encontrar um processo de conversas em prol da paz social em toda a nação".

"Artemio" aproveitou para se distanciar de "José" e "Raúl", que pediram a morte de Abimael Guzmán, e por cuja captura a Polícia ofereceu uma recompensa de um milhão de sóis (mais de US$ 300 mil).

"A posição do Partido Comunista do Peru (como se autodenomina o Sendero Luminoso) é de total rejeição a esse grupo de mercenários liderado por 'José' e 'Raúl'", afirmou o líder.

A Comissão da Verdade e Reconciliação peruana apontou o Sendero Luminoso como responsável por mais da metade das 69 mil vítimas do terrorismo no Peru entre 1980 e 2000. EFE mmr/bba

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