Islamabad, 15 mai (EFE) - O líder do governante Partido Popular do Paquistão (PPP), Asif Ali Zardari, disse hoje que tentará persuadir o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif a que sua legenda, a Liga Muçulmana-N (PML-N), volte ao Governo de coalizão formado após as eleições de fevereiro.

Zardari pediu ao chefe de Governo, Yousaf Raza Gillani, que não aceite, por enquanto, as demissões apresentadas pelos nove ministros da PML-N na segunda-feira passada e que espere suas conversas com Sharif, segundo um comunicado do escritório do primeiro-ministro.

O líder do PPP e Gillani se reuniram na casa do chefe de Governo e concordaram em "manter os ministérios vagos com a esperança de que os ministros da PML-N voltem em breve ao Gabinete", segundo a nota.

A Liga Muçulmana-N decidiu abandonar o Governo após comprovar que o PPP não estava disposto a reincorporar os juízes do Supremo que foram destituídos pelo presidente paquistanês, Pervez Musharraf, em novembro de 2007, durante a declaração do estado de exceção.

O porta-voz do PPP, Farhatullah Babar, explicou à Agência Efe que "Zardari e Sharif se reencontrarão em breve para abordar a situação", mas admitiu que não foi estabelecida uma data.

"Os esforços para que a PML-N volte ao Governo continuam sendo feitos", afirmou Babar, que não descartou uma aproximação, por parte PPP, da posição do partido de Sharif para chegar a um acordo.

No entanto, o comunicado acrescenta que, por enquanto, vários ministros adjudicarão as competências das pastas vazias.

Assim, o atual titular de Privatizações, Naveed Qamar, passará a controlar também o Ministério das Finanças, o mais importante ocupado pela Liga de Sharif.

O ex-primeiro-ministro insiste em que os juízes do Supremo devem ser reabilitados segundo o acordo de coalizão firmado por ambos os partidos após o pleito de 18 de fevereiro, enquanto Zardari alega problemas legais para restituí-los imediatamente.

O PPP estuda uma fórmula para dar lugar aos atuais juízes do Supremo (considerados próximos de Musharraf), assim como aos destituídos em 2007, entre eles o ex-presidente do Alto Tribunal, Iftikhar Chaudhry, responsável pelos casos contra a reeleição presidencial de Musharraf.

Enquanto Sharif reiterou desde as eleições a necessidade de reconduzir os juízes de forma imediata a seus cargos, o PPP se mostrou mais dividido.

O PPP e a Liga Muçulmana-N formaram um Governo de coalizão no Paquistão com outros dois pequenos partidos no final de março. EFE igb/rb/db

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