Judith Mora. Birmingham (R.Unido), 1 out (EFE).

- O líder do Partido Conservador, David Cameron, fez hoje um grande esforço no congresso da legenda para se apresentar aos eleitores como um líder responsável e com caráter e juízo para gerenciar não apenas a crise econômica, mas também o Governo do Reino Unido.

Em discurso com poucos toques pessoais e que desta vez leu de um púlpito, Cameron se definiu nestes termos para responder à advertência que fez na última semana o primeiro-ministro, Gordon Brown, que afirmou, em plena crise do setor financeiro, que este "não é um momento para novatos".

Mais que experiência, na qual se refugia Brown, são necessárias "liderança, caráter e julgamento", declarou Cameron, que se descreveu como um "autêntico Tory - membro do partido conservador do Reino Unido -", mas também um homem de seu tempo.

"Não se pode demonstrar que se está preparado para ser primeiro-ministro e seria arrogante pretender isto", declarou aos delegados, para indicar que só se pode explicar "o que alguém é" e "como trabalha".

O congresso conservador, que concluiu hoje em Birmingham (centro), esteve inteiramente voltado para apresentar uma imagem do partido como verdadeira alternativa de Governo, responsável para apoiar o Governo em tempos difíceis, mas com seu próprio projeto para levar o país em frente.

"Otimista, mas sóbria", foi a definição que fez o próprio Cameron, que dedicou parte do discurso a analisar a crise e explicar o que os Tories fariam para sair dela.

Primeiro culpou os trabalhistas por terem criado as condições da quebra do sistema com sua cultura do "gasto excessivo", dos empréstimos e da dívida alta. Embora também tenha responsabilizado o setor financeiro, afirmou que hoje não era "o dia do julgamento".

Concretamente, para acertar o sistema, os conservadores, que um dia se opuseram à independência do Banco da Inglaterra, lhe devolveriam o poder de limitar a dívida na economia.

Além de controlar a dívida, o outro "dever econômico" de uma Administração é restringir os créditos e diminuir os impostos, o que implica acabar com a cultura de "dependência dos gastos" que, segundo o líder conservador, exemplificaram os trabalhistas.

Para economizar dinheiro reformariam "os ineficazes serviços públicos" e criariam um Escritório de Responsabilidade Orçamentária para fiscalizar o Estado.

Além da economia, o Partido Conservador de Cameron, que deseja conquistar a classe média, se ocupará da "justiça social" para sarar a "rachada sociedade" britânica.

Para isto, serão limitados os benefícios sociais e por outro lado serão "dadas oportunidades" aos desempregados e aos mais desfavorecidos, fortalecendo a família - haverá incentivos para aqueles que se casarem - e eliminando o paternalismo dos trabalhistas.

Seguindo o conservadorismo tradicional, Cameron prometeu reduzir o papel do Estado e fomentar a iniciativa individual, mas afirmou à ala mais reacionária do partido que seria necessário fazer concessões quanto à flexibilidade no trabalho e para preservar o meio ambiente.

"Objetivos progressistas com métodos conservadores". Esta é a proposta de Cameron, que reconheceu que não é nenhum "ideólogo", mas um político pragmático e, como ele mesmo disse, com princípios.

O discurso de hoje, que culminou com a participação de sua mulher Samantha, foi muito bem amparado pelos militantes, que começam a saborear um retorno ao poder.

Curiosamente, as propostas mais aplaudidas foram a promessa de cortar o imposto de sociedades, de realizar um referendo sobre a Constituição Européia e reformar o sistema escolar para "romper o monopólio" do Estado e permitir que os mais capazes prosperem. EFE jm/fal

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