Líder do Paquistão diz que não sabia do paradeiro de Bin Laden

Em artigo, Zardari diz que país também é vítima de terrorismo e colabora com EUA há uma década

iG São Paulo |

AFP
Homem lê jornal que estampa morte de Bin Laden na primeira página em Lahore, no Paquistão

O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, negou que as autoridades do seu país soubessem do paradeiro de Osama bin Laden , afirmando que o país "nunca foi nem nunca será o foco de fanatismo como é muitas vezes descrito pela mídia". A afirmação foi feita em um artigo assinado por ele e publicado nesta terça-feira pelo diário americano "The Washington Post".

"Essas especulações infundadas (de que autoridades sabiam do paradeiro de Bin Laden) podem produzir notícias emocionantes, mas não refletem a realidade", disse o líder paquistanês. "O Paquistão teve tanta razão para desprezar a Al-Qaeda como qualquer outra nação. A guerra contra o terrorismo é tanto a guerra do Paquistão como é da América."

O líder acrescentou que o Paquistão, que tem sofrido repetidos ataques terroristas contra civis e contra seus serviços de segurança, "tinha pago um preço enorme por sua luta contra o terrorismo". "Mais de nossos soldados morreram do que todas as vítimas da Otan juntas. Dois mil policiais, quase 30 mil civis inocentes e uma geração de progresso social para o nosso povo foi perdida."

Bin Laden foi morto no domingo por uma operação de forças americanas na cidade paquistanesa de Abbottabad. O Paquistão não participou da ação.

Zardari disse que, embora os dois países não tenham trabalhado juntos na operação específica, "uma década de cooperação e parceria entre os Estados Unidos e o Paquistão levaram à eliminação de Osama bin Laden como uma ameaça constante para o mundo civilizado".

Ao comentar a ação, na segunda-feira, o principal assessor da Casa Branca para assuntos de segurança nacional de contraterrorismo, John Brennan, afirmou que era "inconcebível que Bin Laden não tivesse um sistema de apoio no país que permitisse a ele ficar lá por um longo tempo".

No artigo, Zardari negou que a morte do líder da Al-Qaeda, em uma mansão próxima a uma academia militar paquistanesa, seja um sinal da incapacidade de seu país combater o terrorismo.

Ele não deu nenhuma explicação de como Bin Laden havia sido capaz de viver em relativo conforto no Paquistão, mas disse que o saudita "não estava em qualquer lugar que havíamos previsto que ele estaria".

Embaixadas

Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira o fechamento de sua embaixada na cidade paquistanesa de Karachi e de seus consulados em Peshawar, Lahore e Karachi para os serviços de rotina até segunda ordem, por motivos de segurança.

As relações entre os dois países não estão em seu melhor momento. Enquanto os EUA precisam da cooperação do Paquistão para lutar contra o extremismo islâmico, oficiais americanos sentem que não podem confiar totalmente no aliado e na espionagem paquistanesa, acusada de apoiar insurgentes.

Com BBC

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