O líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse nesta quinta-feira que qualquer tentativa do governo libanês contra o grupo xiita será interpretada como uma declaração de guerra. Segundo Nasrallah, a pressão do governo sobre a rede privada de comunicações do grupo é a prova de que os governistas são espiões dos Estados Unidos e de Israel.

Em entrevista transmitida à imprensa por meio de telão, o chefe máximo do Hezbollah advertiu o governo que a milícia xiita e seus aliados estão prontos para "duas guerras", se referindo a um conflito civil e outro contra Israel.

"A crise libanesa está entrando agora em uma nova fase, uma nova era", disse Nasrallah.

O líder do Hezbollah disse ainda que a culpa pela crise e pelo aumento na violência no país é do governo e de seus simpatizantes.

Antes e após a coletiva, militantes do Hezbollah se manifestaram com disparos de fuzis para o alto.

Violência
Durante o dia, a violência se espalhou pelo Líbano. Em vários pontos do país houve confrontos armados entre partidários ligados ao governo e militantes da oposição liderada pelo Hezbollah.

Em Beirute, mais ruas e avenidas foram bloqueadas por manifestantes, muitos usando máscaras e armados com fuzis.

Pesados combates ocorrem entre militantes do Amal (aliado do Hezbollah) e do partido sunita Mustaqbal nos bairros de Mazraa, Msaitbeh, Ras al-Nabaa e Beshara Khoury e em vários outros pontos do oeste de Beirute.

Em Beshara Khoury, o Hezbollah e membros das forças libanesas, do cristão Samir Geagea, se envolveram em confrontos, e tiros puderam ser ouvidos nas cercanias do prédio do governo.

Helicópteros do Exército sobrevoaram Beirute, com soldados tentando controlar militantes de ambos os lados, mas com pouco sucesso.

O aeroporto internacional da capital continua bloqueado e inoperante, com todos os vôos cancelados.

Estado de emergência
O comando das Forças Armadas divulgou nota em que diz que, se a situação persistir, a unidade do Exército libanês estará comprometida.

Muitos soldados do Exército são xiitas, e haveria a possibilidade de dissolução das tropas por questões de lealdade sectária.

Em Trípoli, a segunda maior cidade do país e forte reduto sunita aliado do governo, começaram confrontos entre facções rivais nas áreas perto do porto, na região de Mina.

A estrada que leva ao principal posto de fronteira com a Síria está bloqueada, o que obriga estrangeiros e libaneses a usar as fronteiras do norte para sair do país.

Segundo as forças de segurança libanesas, várias cidades no Vale do Bekaa, no leste do Líbano, estão com acessos bloqueados, e em outros pontos ocorrem combates armados entre as facções rivais.

Reações
Em um dos confrontos, uma pessoa morreu e outras seis pessoas ficaram feridas, segundo informações da imprensa local.

Várias ambulâncias puderam ser vistas pela cidade, mas ainda não há confirmação de mais vítimas.

O governo se reuniu em sessão extraordinária para discutir a posibilidade de declarar estado de emergência, segundo informou um porta-voz.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou sua preocupação e pediu às partes envolvidas que cessem as hostilidades.

A Casa Branca disse nesta quinta-feira que o Hezbollah deveria interromper o que chamou de "atividades que provocam desordem".

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