CAIRO - O dirigente do Hamas no Líbano, Osama Hamedan, negou nesta quarta-feira que a organização tenha aceitado a iniciativa egípcia, e disse que ainda existem diferenças sobre esse plano para colocar fim às hostilidades na Faixa de Gaza.


"Posso dizer claramente que damos as boas-vindas ao papel desempenhado pelo Egito dentro dos limites que decidimos, mas ainda há diferenças e, a menos que estas divergências se resolvam, nossa posição permanecerá como está", destacou Hamedan em entrevista à rede de televisão Al-Jazeera.

"Insistimos em nossas três condições essenciais: parar a agressão (israelense), a abertura das passagens fronteiriças, e no levantamento do bloqueio" a Gaza, explicou o dirigente do grupo islâmico palestino, que controla a Faixa.

Esta foi a resposta de Hamedan às informações de que o grupo tinha aceitado o plano egípcio. "Até este momento, as diferenças entre as duas partes não foram resolvidas", afirmou.

As declarações do dirigente do Hamas foram feitas pouco após o porta-voz do Hamas na Síria, Ali Barakeh, ter confirmado que o grupo aceitou o plano egípcio se a Turquia for a fiadora e se, em vez de tropas internacionais, observadores fiscalizem o cumprimento do acordo.

Segundo Barakeh, os outros pontos do acordo do cessar-fogo seriam uma trégua humanitária de três dias, a retirada das tropas israelenses da Faixa de Gaza em 48 horas, uma nova trégua de um ano de duração e a mobilização de observadores internacionais para o cumprimento do acordo.

A Casa Branca expressou cepticismo com as informações de que o Hamas teria aceitado o plano egípcio. "Vamos esperar para ver o que Hamas vai fazer", declarou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino. "Temos motivos de sobra para duvidar do que lemos nos jornais sobre o Hamas, e penso que é preciso esperar para ver o que realmente acontece", acrescentou.

Enquanto isso, em Israel, o governo começa a dar os primeiros sinais de divergências internas e não há sinal de que o país aceitará o cessar-fogo proposto pelo Egito.

Segundo um correspondente da BBC no país, o ministro da Defesa, Ehud Barak, quer diminuir a ofensiva em Gaza, enquanto o primeiro-ministro, Ehud Olmert, defende uma escalada dos ataques.

"Não temos tempo a perder"

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que chegou ao Egito nesta quarta-feira, voltou a pedir o cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza e prometeu redobrar seus esforços para assegurar o fim da ofensiva.

"Peço às duas partes que cessem os combates já, pois não há tempo a perder", afirmou Ban Ki-moon aos jornalistas, depois de um encontro com o presidente egípcio Hosni Mubarak no início de uma viagem pelo Oriente Médio.

O encontro com Mubarak, no Cairo, foi a primeira parada de Ban em uma visita que incluirá ainda Jordânia, Israel, Turquia, Líbano, Síria, Kuweit e Cisjordânia.

Segundo a ONU, Ban começou sua viagem "frustrado e preocupado" com as recusas do governo de Israel e do movimento palestino Hamas de acatar a resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Balanço da ofensiva

O balanço da ofensiva israelense na Faixa de Gaza alcançou os mil mortos, anunciou nesta quarta-feira o chefe dos serviços de emergência do território palestino.


Mulher palestina chora durante funeral de um dos militantes do Hamas / AP

"O número de mártires alcançou 1.001 desde o início da ofensiva contra a Faixa de Gaza e o de feridos supera 4.580", declarou o doutor Muawiya Hassanein à AFP.

Em 27 de dezembro Israel empreendeu uma operação militar contra o movimento radical palestino Hamas na Faixa de Gaza para, segundo as autoridades, pôr fim ao disparo de foguetes contra seu território.


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