Líder do Hamas diz que suspende ataques a Israel em troca de fim de bloqueio

MOSCOU - O principal líder do Hamas, Khaled Meshaal, disse nesta quarta-feira que está disposto a suspender os ataques a Israel se este levantar o bloqueio à Faixa de Gaza, informou a Chancelaria russa.

Redação com agências internacionais |

Meshaal, cujo movimento controla a Faixa de Gaza, fez esta declaração durante uma conversa telefônica com o chefe da diplomacia da Rússia, Serguei Lavrov, disse o Ministério de Exteriores do país em um comunicado .

"Em resposta ao pedido do ministro russo, Meshaal se disse disposto a deter o confronto armado em troca da suspensão do bloqueio" à Gaza, diz a nota oficial.

O líder do Hamas também expôs a postura de seu grupo sobre uma possível retomada do diálogo entre os movimentos palestinos, particularmente com o Fatah, ao qual pertence o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Meshaal agradeceu a Rússia por enviar ajuda humanitária a Gaza e prometeu colaborar na evacuação de cerca de 150 russos que se encontram na Faixa de Gaza, em sua maioria mulheres casadas com palestinos.

Hoje, o ministro de Assuntos Exteriores russo também conversou por telefone com Abbas, a quem expressou o apoio de Moscou aos esforços para deter o confronto com Israel.

"O ministro apoiou as ações do líder da ANP para deter o confronto e a violência, bem como sua iniciativa para realizar consultas e um diálogo entre todas as organizações e movimentos palestinos", diz a nota da Chancelaria russa.

Israel rejeita trégua

Israel declarou nesta quarta-feira que o momento não é adequado para um cessar-fogo na Faixa de Gaza e agilizou os preparativos para uma ofensiva por terra, depois que mísseis de longo alcance do Hamas atingiram um grande centro populacional.

"Se as condições se aprimorarem, e nós acreditamos que pode haver uma solução diplomática que garanta uma realidade melhor de segurança no sul, nós vamos considerar. Mas neste momento, não há", disse o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, segundo um assessor.

A França propôs uma trégua de 48 horas que permitiria acesso para ajuda humanitária aos 1,5 milhão de residentes de Gaza. Olmert deu as declarações - sem descartar um cessar-fogo no futuro - a seu gabinete de segurança, que recusou o plano.

AP
Casa destruída por míssil israelense em Gaza

Casa destruída por míssil israelense na Faixa de Gaza


Diplomatas disseram que o conflito mais mortal da Faixa de Gaza em quatro décadas deve ter atingido seu auge, depois de quatro dias de violência na fronteira, que resultou na morte de 385 palestinos e quatro israelenses.

Potências internacionais aumentaram a pressão dos dois lados para que as hostilidades sejam reduzidas, mas a raiva em Israel por conta dos ataques com mísseis contra Beersheba, 40 quilômetros da Faixa de Gaza, poderá levar o governo a atacar o Hamas com intensidade ainda maior.

Na reunião de ministros foi aprovada a mobilização de 2.500 reservistas, ampliando a convocação de 6.500 soldados feita antes para a fronteira de Gaza, segundo autoridades.

Israel alegou que está fazendo sua parte para deixar chegar material de ajuda humanitária dentro de Gaza, apesar dos disparos de foguetes do lado palestino. Mais de 100 caminhões com alimentos e medicamentos deveriam chegar nesta quarta-feira, disse o oficial de defesa Peter Lerner.

Resolução da ONU

Com a crescente revolta devido à ofensiva, assessores do presidente palestino, Mahmoud Abbas, disseram que ele deve pedir ao Conselho de segurança da ONU a aprovação de uma resolução pedindo um cessar-fogo imediato.

Junto à cerca fortemente guardada da fronteira, soldados em tanques se preparavam para a batalha, enquanto militantes islâmicos, escondidos a poucas centenas de metros, colocavam minas de solo e outras armadilhas bélicas em preparação para a guerra por terra.

Em Gaza, pela primeira vez desde que o conflito estourou, muitos residentes se aventuraram fora de casa para buscar suprimentos, aproveitando uma interrupção dos ataques aéreos de Israel.

Mas autoridades israelenses deixaram claro que não dariam descanso para o Hamas. "Não há intenção de encerrar a atividade militar", disse o membro do gabinete de segurança Meir Sheetrit, afirmando que a operação em solo ainda estava sendo considerada.

O ministro das Relações Exteriores de Israel disse que a proposta francesa não era realista, uma vez que não previa garantias específicas para que o Hamas pare de disparar mísseis ou tente contrabandear mais armas.

"Uma solução de 'band-aid' que não é sustentável nem realista vai nos colocar na posição em que estamos hoje em um ou dois meses. Precisamos buscar uma solução real", disse o porta-voz de Olmert, Mark Regev. Os israelense disseram que estão abertos a outras propostas.

AP

A ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni, visita escola atingida por ataque palestino

A ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni,
visita escola atingida por ataque palestino

Autoridades médicas em Gaza calculam o número de palestinos mortos em 385 e de feridos em mais de 800 desde o início dos ataques no sábado. A ONU informou que pelo menos 25% dos mortos são civis.

Uma pessoa entre os quatro israelenses mortos por um míssil era um soldado servindo perto da fronteira de Gaza.

Ofensiva antes da eleição

O governo de centro de Olmert lançou a ofensiva seis semanas antes da eleição de 6 de fevereiro. O partido de direita Likud lidera as intenções de voto.

O conflito atual estourou depois que um cessar-fogo de seis meses negociado pelo Egito expirou em 19 de dezembro e o Hamas intensificou seus ataques a mísseis da Faixa de Gaza, que está bloqueada por Israel.

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