Líder do Hamas diz que EUA dificultam unidade palestina

MOSCOU (Reuters) - O líder do Hamas no exílio, Khaled Meshaal, acusou nesta segunda-feira os Estados Unidos de prejudicarem a unidade palestina e disse não ver perspectiva de paz no Oriente Médio sob a atual liderança israelense. Rejeitado no Ocidente por causa da recusa do Hamas em reconhecer Israel, Meshaal usou a hospitalidade russa como plataforma para culpar Washington e o governo de Israel pela falta de avanços no processo de paz.

Reuters |

Em entrevista coletiva após reunião com o chanceler russo, Sergei Lavrov, Meshaal disse que o Hamas, que governa a Faixa de Gaza, quer a reconciliação com a facção Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, que controla a Cisjordânia.

"Infelizmente, há uma série de obstáculos a uma pronta reconciliação, a começar pela influência externa e a pressão orquestrada dos Estados Unidos", afirmou o dirigente do grupo islâmico.

O Egito vem tentado mediar essa reconciliação, mas um acordo foi alterado sem o aval do Hamas, e Meshaal disse que o grupo não assinará o texto na sua forma atual.

O grupo quer garantias do Egito, por exemplo, de que o resultado da eleição palestina de junho será respeitado. O Hamas venceu a eleição parlamentar de 2006, mas não é reconhecido como partido dominante desde que rompeu com a Fatah e assumiu sozinho o controle de Gaza, após uma quase guerra civil em 2007.

Meshaal culpou o governo de Israel pelo colapso daquilo que o Hamas chama de negociações indiretas para a troca de um soldado israelense sequestrado por alguns dos mais de 7.000 palestinos presos em Israel.

Por meio de um intérprete, Meshaal disse que a razão da demora "é o jogo que Netanyahu está jogando."

Israel exige que dezenas de palestinos condenados por envolvimento em crimes mortais sejam deportados depois de serem soltos.

Meshaal, embora não seja parte de qualquer esforço diplomático sob mediação dos EUA, afirmou: "Não vejo quaisquer perspectivas na trilha palestina, síria ou qualquer outra no processo de paz do Oriente Médio, porque a liderança israelense é uma liderança de guerra, agressão e ocupação."

O dirigente, que vive exilado na Síria, acusou Washington de recuar em exigências feitas a Israel, e criticou a suposta incapacidade europeia de obrigar Israel a cumprir seus compromissos. Já a Rússia, à qual faz sua segunda visita oficial desde 2007, mereceu elogios.

Os EUA consideram o Hamas como um grupo terrorista, enquanto Moscou diz que a facção não deveria ser isolada. Na segunda-feira, no entanto, o governo local evitou manifestar apoio explícito ao dirigente islâmico. A Rússia é, junto à Organização das Nações Unidas (ONU), EUA e União Europeia, parte do chamado "Quarteto" de mediação no Oriente Médio.

(Reportagem de Steve Gutterman)

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