Líder do Hamas alerta Israel contra ataque terrestre

GAZA - O líder do grupo militante palestino Hamas, Khaled Meshaal, ameaçou Israel e disse que o país terá um destino negro caso empreenda um ataque terrestre contra a Faixa de Gaza. Em seu primeiro pronunciamento público desde o início da ofensiva israelense, no último sábado, Meshaal ainda afirmou que, apesar dos ataques aéreos e navais, a infra-estrutura do Hamas sofreu pouco.

BBC Brasil |

Em um vídeo pré-gravado transmitido pela rede de TV Al-Jazzera, Meshaal, que vive exilado em Damasco, na Síria, afirmou que Israel cometerá um "erro tolo" caso envie tanques para Gaza.

"Se vocês (Israel) cometerem a estupidez de lançarem uma ofensiva terrestre, então um destino negro os espera. Vocês verão a ira de Deus em Gaza. Vocês acham que o modo de ganhar as eleições (em 10 de fevereiro) é por meios de uma invasão, mas eu digo que é um erro", disse Meshaal.

"Não vamos ser derrotados, não vamos nos render ou desistir sob suas condições", disse Meshaal em um discurso direcionado a israelenses, palestinos e ao resto do mundo islâmico.

Ele afirmou que a ofensiva israelense não é um ataque apenas ao Hamas, mas a toda a "uma" (nação), o que analistas interpretaram como uma referência à idéia populista islâmica de que os palestinos estão defendendo o mundo muçulmano contra uma "cruzada" moderna.

Meshaal ainda criticou o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, que não se pronunciou até agora sobre a crise em Gaza, afirmando que o "começo não foi bom".

"Você fez comentários sobre (os ataques de) Mumbai, mas não diz nada sobre o crime do inimigo (Israel). Esta política de duas medidas tem que parar".

"Atos de terror"


Em um pronunciamento de rádio que irá ao ar neste sábado, mas que foi divulgado pela Casa Branca nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, classificou os ataques de foguetes do Hamas contra Israel como "atos de terror".

"A recente violência foi instigada pelo Hamas, um grupo palestino terrorista apoiado pelo Irã e pela Síria e que quer a destruição de Israel", disse.

Bush ainda responsabilizou o Hamas por "lançar ataques com foguetes e morteiros que têm como alvo israelense inocentes, um ato de terror que recebe oposição do líder legítimo do povo palestino, o presidente (Mahmoud) Abbas".

O presidente ainda disse que os Estados Unidos estão fazendo esforços diplomáticos para que as partes cheguem a um cessar-fogo "monitorado".

"Um outro cessar-fogo unilateral que permita ataques contra Israel não é aceitável e promessas do Hamas não são suficientes. Deve haver mecanismos para monitorar e assegurar que o contrabando de armas para os grupos terroristas em Gaza tenha um fim".

Emergência


Ainda nesta sexta-feira, a Organização das Nações Unidas (ONU) disse que os palestinos na Faixa de Gaza enfrentam uma grave crise de saúde e de falta de alimentos, em meio aos ataques israelenses.

A situação é de "emergência crítica", apesar do aumento no envio de carregamentos de ajuda humanitária, segundo o coordenador de ajuda da ONU para o território palestino, Maxwell Gaylard.

De acordo com a ONU, há pelo menos 100 civis entre os mais de 400 palestinos mortos até agora em decorrência dos ataques, que também deixaram cerca de 2 mil feridos.

Israel afirma que os moradores da Faixa de Gaza estão recebendo quantidade suficiente de comida e medicamentos.

Os últimos ataques israelenses contra a Faixa de Gaza mataram cinco palestinos, entre eles três crianças.

Desde o início da ação militar, as forças israelenses já atacaram mais de 500 alvos do Hamas em Gaza.

Até agora, quatro israelenses morreram em decorrência dos ataques com foguetes palestinos.

Israel afirma que a ação militar na Faixa de Gaza tem o objetivo de interromper esses ataques.

Nesta sexta-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu um cessar-fogo "durável e sustentável".

Segundo a correspondente da BBC em Washington, Kim Ghattas, não está claro o que Rice quis dizer por cessar-fogo "sustentável" ou como um acordo poderia ser alcançado.

No entanto, segundo Ghattas, a posição americana pode ser interpretada como um apoio tácito para que Israel continue sua operação militar e tente enfraquecer o Hamas o máximo possível.

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