Maputo, 8 ago (EFE).- O governante de fato de Madagascar, Andry Rajoelina, disse hoje que o presidente eleito do país, Marc Ravalomanana, a quem depôs em um golpe de Estado em março e que vive exilado na África do Sul, pode voltar ao país, mas deverá ser submetido a julgamento por desvio de fundos públicos.

Os dois políticos, assim como os ex-chefes de Estado malgaxes Didier Ratsiraka, atualmente exilado na França, e Albert Zafy mantêm negociações desde quarta-feira em Maputo para tentar restabelecer a ordem constitucional em Madagascar.

A estatal "Rádio Moçambique" citou o ex-presidente moçambicano e mediador da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) na crise malgaxe, Joaquim Chissano, dizendo que Rajoelina aceitou, com condições, que Ravalomanana volte a Madagascar após nove horas de discussões.

As negociações começaram sexta-feira à noite e só terminaram nesta madrugada.

Na quinta-feira, as partes aceitaram uma anistia para Ratsiraka, que, em 2002, rejeitou as eleições que deram a vitória a Ravalomanana, o que originou uma crise política e militar que causou centenas de mortos e só terminou quando o ex-presidente deixou o país rumo ao exílio.

Segundo Chissano, os negociadores também a chegaram um consenso sobre a formação de um novo Parlamento e a constituição de um Governo de transição que organizará eleições na ilha.

Um dos pontos que ainda deve ser decidido hoje, no penúltimo dia das negociações, se refere à maneira de escolher o presidente do novo Parlamento e o chefe do Governo de unidade da transição, informou a "Rádio Moçambique". EFE rb/db

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