Líder diz que nova Constituição foi aprovada no Quirguistão

Segundo Comissão Eleitoral, nova Carta é aprovada por 90,7% dos votos

iG São Paulo |

Reuters
Roza Otunbayeva vota durante o plebiscito
A líder do governo interino do Quirguistão, Roza Otunbayeva, disse que o país embarcou no caminho de "estabelecer uma democracia de um verdadeiro povo" depois de aprovar uma nova Constituição no referendo deste domingo.

O Quirguistão foi às urnas para tentar criar a primeira democracia parlamentar na Ásia Central. Mais de metade dos eleitores compareceu às urnas, apesar da recente agitação política e confrontos étnicos sangrentos . "Acreditamos que o referendo é válido. A nova Constituição da República do Quirguistão foi aprovada", afirmou Roza em entrevista coletiva.

Segundo a Comissão Eleitoral em seu site, a nova Constituição foi aprovada com 90,7% dos votos, citando resultados relativos a 90% das seções, que indicam que 7,96% rejeitaram a nova Carta. Os resultados definitivos serão anunciados em dois dias.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, alertou que a votação poderia intensificar o extremismo no instável país da Ásia Central. "Tenho problemas em imaginar que uma república parlamentar possa funcionar no Quirguistão, e não vá provocar uma série de problemas e encorajar a ascenção ao poder de forças extremistas", disse Medvedev à margem da cúpula do G20, em Toronto, Canadá.

"O Quirguistão enfrenta muitos problemas, sobretudo a ameaça de ruptura. Para evitá-la, faz-se necessária uma autoridade forte e bem organizada", afirmou.

No referendo deste domingo, os quirguizes apoiaram o estabelecimento de uma democracia parlamentar, segundo o governo interino que assumiu o poder depois do golpe de estado de abril. O Quirguistão é uma antiga república soviética. Os eleitores tiveram de responder no referendo se apoiavam as mudanças na Constituição que transfeririam poder do presidente para um primeiro-ministro, abrindo caminho para eleições parlamentares em outubro e reconhecimento diplomático para o governo interino.

Segurança reforçada

Pelo menos 283 pessoas foram mortas neste mês na violência entre quirguizes e usbeques no sul do Quirguistão, que abriga bases militares russa e americana e tem fronteira com a China.

A líder do governo interino votou sob forte esquema de segurança em uma universidade na cidade sulista de Osh, epicentro da violência. "Hoje nosso país está à beira de grande perigo, mas os resultados deste referendo vão mostrar que o país está unido e que o povo é apenas um. Vai permanecer forte pelos próprios pés e seguir adiante", disse Otunbayeva, após votar.

Os Estados Unidos e a Rússia disseram que darão apoio a um governo forte para impedir que a turbulência se espalhe pela Ásia Central, que antes estava sob controle dos soviéticos e faz fronteira com o Afeganistão. Todos os países da região são governados por presidentes autoritários.

A comissão central eleitoral informou que 57,74% dos eleitores haviam votado. As urnas fecharam às 20h locais (11h no horário de Brasília) O país tem 5,3 milhões de habitantes.

Nova Carta

Pela nova Carta, Otunbayeva - a primeira mulher a comandar um país na Ásia Central - seria presidente interina até 2011. As eleições parlamentares seriam realizadas a cada cinco anos e o mandato presidencial, limitado a um período de seis anos.

Ex-embaixadora nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, Otunbayeva tomou o poder após uma revolta que derrubou em abril o presidente Kurmanbek Bakiyev. Embora ela seja do sul do país, vem lutando para controlar a região, um reduto da família de Bakiyev.

Bakiyev está exilado na Bielo-Rússia, de onde afirmou não reconhecer o referendo nem o governo de Otunbayeva, dizendo que o comportamento dela foi "frívolo e irresponsável."

Os confrontos sangrentos aprofundaram as divisões entre as etnias quirguizes e uzbeques, que têm praticamente a mesma proporção na população no sul do país. Muitos uzbeques dizem ter sido o alvo da violência e relutam em apoiar o que veem como uma iniciativa quirguiz.

*Com Reuters e AFP

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