Líder dissidente chinês é julgado por subversão

Mais de um ano depois de sua detenção, Liu Xiaobo, um dos líderes da dissidência chinesa, foi julgado por subversão nesta quarta-feira em Pequim, mas o veredicto será conhecido somente na sexta-feira, dia de Natal.

AFP |

Já detido após a repressão de 1989 na Praça Celestial, Liu, 53 anos, é acusado de "subversão do poder do Estado", depois de ter ajudado a escrever a "Carta 08", um texto que pedia uma China democrática.

"O processo de hoje durou duas horas e meia", disse um de seus advogados, Ding Xikui.

"O tribunal informou que o veredicto será lido sexta-feira às 09H00" (23H00 de quinta-feira, no horário de Brasília), acrescentou.

Liu Xiaobo é um conhecido intelectual chinês, crítico do regime comunista e líder do movimento democrático de Tiananmen em 1989. Ele já foi preso diversas vezes por suas convicções democráticas.

Em 1989, Liu, professor da Universidade de Pequim, tinha acabado de voltar dos Estados Unidos, onde viajara para dar aulas na Universidade de Columbia, em Nova York, quando participou do movimento democrático da Praça Tiananmen, deflagrado pelos estudantes.

Ante a repressão do regime, ele iniciou uma greve da fome na famosa esplanada de Pequim, junto com o cantor Hu Dejian e outros dois intelectuais, Zhu Duo e Gao Xin.

"Preferimos ter dez diabos que se controlam mutuamente do que um anjo com o poder absoluto", escreveram os quatro em declaração pública, criticando alguns estudantes por terem deixado de lado seus ideais democráticos.

Na noite de 3 de junho, quando o exército se preparava para dispersar os manifestantes, eles tentaram uma mediação para uma retirada pacífica.

Detido após a repressão do movimento, ele passou um ano e meio na prisão sem nunca ter sido condenado.

Alguns anos depois, ele teve novos problemas com o regime e foi enviado a um campo de reeducação "pelo trabalho" entre 1996 e 1999 por ter pedido uma reforma política e a libertação das pessoas que continuavam presas após o movimento de junho de 1989.

Afastado da universidade, ele integrou o centro independente Pen China, uma coalizão de escritores. Seus livros não são publicados na China mas fazem sucesso em Hong Kong.

Há um ano, por ocasião do 60º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos, ele assinou a "Carta 08", um texto que defende o respeito dos direitos humanos, a liberdade de expressão e a instauração de eleições para um país "livre, democrático e constitucional".

"A situação vai melhorar aos poucos, mas a ânsia por liberdade, tanto da população como dos próprios membnros do Partido, não será fácil de conter", disse Liu em entrevista publicada no ano passado, afirmando que o Partido Comunista teria que se abrir cada vez mais.

"O Partido já definiu uma data para as reformas políticas em Hong Kong. Daqui a quatro anos, não será um homem forte que assumirá o cargo de secretário-geral do Partido no Congresso. Isso significa que haverá várias facções, que deverão desenvolver regras mais eficientes para nomear seus líderes", declarou então.

Liu Xiaobo é casado, e não tem filhos.

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