Líder deposto em Mali diz que está na capital e não é prisioneiro

Junta militar que deu golpe de Estado suspende toque de recolher e anuncia ata constitucional para governo de transição

iG São Paulo |

O presidente deposto em Mali , Amadou Toumani Touré, afirmou nesta quarta-feira que está na capital de Bamaco e não é prisioneiro. "Estou bem em Bamaco e, graças a Deus, eu e minha família estamos todos bem", disse à agência France Presse por telefone.

Revolta: Soldados saqueiam palácio presidencial em Mali

AP
Malinense conversa com membros das forças de segurança que patrulham a capital Bamaco
Desde o golpe de Estado de 22 de março, o paradeiro de Touré era incerto. À agência, no entanto, ele não quis dar mais detalhes sobre onde está. “Faz diferença? O que é importante saber é que não sou prisioneiro". 

"Evidentemente estou acompanhando o que está acontecendo. Eu desejo de todo coração que a paz e a democracia triunfem em Mali", acrescentou.

O chefe da junta militar responsável pelo golpe de Estado, o capitão Amadou Sanogo, havia assegurado que o estado de saúde do presidente era bom e que estava em segurança, sem dar mais informações. Autoridades francesas e marfinenses afirmaram que conseguiram fazer contato com o presidente deposto na terça-feira.

A junta militar que tomou o poder suspendeu o toque de recolher que havia imposto, embora os militares continuem postados em locais estratégicos da capital. Militares e policiais patrulham as ruas e reforçam seu desdobramento em torno das instalações da rádio e da televisão estatais, assim como em bancos e postos de gasolina.

Os militares no poder confirmaram a reabertura do espaço aéreo e das fronteiras terrestres, fechadas após o golpe de Estado, e a decisão de reabri-las foi atribuída à necessidade de abastecimento.

Também nesta quarta-feira, a junta anunciou ter adotado uma nova “ata fundamental” constitucional, depois da suspensão da Carta com o golpe de Estado de 22 de março. O documento, que tem 70 artigos e funcionará como Constituição durante o período de transição, prevê a intenção de "perpetuar um Estado de Direito e de democracia pluralista" no qual "os direitos fundamentais do homem (...) estão garantidos". Além disso, confirma a realização de eleições previstas para abril.

Protestos

Nas ruas da capital Bamaco, milhares de manifestantes protestaram contra ameaças de potências estrangeiras que usam sanções para forçar os líderes do golpe da semana passada a abandonar os cargos.

AP
Manifestantes foram às ruas em apoio aos militares que deram golpe de Estado contra Touré
O golpe, visto como um revés para frágeis conquistas democráticas na África, foi desencadeado pela ira do Exército com a forma como o presidente Touré lidou com uma rebelião tuaregue no norte, que vem ganhando força nas últimas semanas.

Os soldados dizem que não têm as armas ou os recursos para deter rebeldes do norte liderados pelos tuaregues. A insurgência étnica tuareg no note do país ganhou força quando partidários do líder deposto da Líbia, Muamar Kadafi , morto em outubro , voltaram a Mali fortemente armados.

Vizinhos regionais disseram que estavam dispostos a recorrer a sanções e a possível força militar para desalojar os novos líderes do Exército do Mali, instando-os a entregar o poder de volta para os civis, enquanto a França suspendeu a ajuda ao país.

"Quero que a comunidade internacional cale a boca. Esta é a nossa revolução", disse o jovem líder Oumar Diara na manifestação. "Nós, os jovens, podemos viver sem a comunidade internacional. Temos vivido com os olhos fechados, mas agora estamos acordando", afirmou.

Os manifestantes gritavam "vitória" e "Abaixo Sarkozy, abaixo os ocidentais", enquanto um membro sênior da junta, Oumar Mariko, chamou aqueles que pressionavam por sanções contra o Mali de "traidores". Faixas traziam dizeres como "Vida longa ao Exército!" e "Reencontrar a Dignidade!".

A Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Cedeao) anunciou na terça-feira à noite a suspensão de Mali como membro da organização após o golpe. Na semana passada, a União Africana também suspendeu Mali do bloco.

*Com EFE, AFP e Reuters

    Leia tudo sobre: malisoldadosgolpe de estadomilitaresconstituiçãotourebamaco

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG