Líder deposto de Honduras reitera que voltará ao país no domingo

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou que vai regressar ao país neste domingo, mesmo diante da ameaça de que seja preso ao fazê-lo. O governo interino hondurenho, instaurado após a deposição de Zelaya no domingo passado, diz que o presidente afastado cometeu 18 delitos, entre eles traição à pátria.

BBC Brasil |

O anúncio do presidente foi feito em uma gravação enviada à emissora de televisão regional Telesur.

Em uma entrevista à BBC, a vice-chanceler hondurenha, Martha Lorena de Casco, afirmou que, se o líder afastado regressar, "nós estaremos em uma situação muito ruim, porque ele será preso imediatamente".

O presidente eleito hondurenho está em Washington, acompanhando a reunião de emergência da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Zelaya disse que virá acompanhando de outros líderes latino-americanos, entre eles a presidente da Argentina,Cristina Fernandez de Kirchner, e o líder do Equador, Rafael Corrêa.

Zelaya conclamou seus correligionários a ir às ruas recebê-lo, mas adotou um tom apaziguador, ao dizer que o façam "desarmados".

O líder deposto usou termos fortes para se referir aos representantes do governo interino, chamando-os de "Judas, que me beijaram no rosto, para, em seguida, realizar um forte golpe contra nosso país e nossa democracia".

Igreja Católica

Ainda neste sábado, o cardeal Óscar Rodriguez, líder da Igreja Católica hondurenha, havia pedido, em um pronunciamento feito à TV do país, que o presidente afastado não regressasse a Honduras, uma vez que isso poderia causar um "banho de sangue".

Na sexta-feira à noite, o governo interino de Honduras anunciou sua retirada da OEA, se antecipando à provável suspensão do país da entidade.

Ainda na sexta, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, veio a Tegucigalpa, para tentar negociar um fim ao impasse político no país.

Mas os representantes da Suprema Corte, da classe política e do clero com quem Insulza se reuniu teriam se mostrado irredutíveis em relação à condição sine qua non manifestada pelo líder da OEA, de que Zelaya possa voltar ao país.

Neste sábado, a capital hondurenha viveu um "ensaio" do clima que poderá acometer a cidade caso Zelaya cumpra a promessa de regressar.

Milhares de manifestantes favoráveis ao presidente afastado marcharam desde o centro da cidade até a região do aeroporto de Toncontin, carregando cartazes e faixas em defesa de Zelaya.

Os líderes da organização procuraram adotar um tom sereno, elogiando o trabalho da polícia, que autorizou a manifestação, e enfatizando o caráter pacífico da organização.

Eles só se mostraram menos contidos ao dar uma estimativa sobre o número de presentes ao evento.

Do alto de um carro de som, um dos organizadores disse que a passeata reuniu 400 mil pessoas, o que representaria mais da metade da população de Tegucigalpa.

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