A polícia do Paquistão anunciou nesta quinta-feira que colocou sob prisão domiciliar o líder de uma organização de caridade acusado de ter ligações com o Lashkar-i-Taiba, o grupo extremista responsabilizado pelos ataques na cidade indiana de Mumbai no mês passado. Hafiz Mohammad Saeed ajudou a fundar o grupo, mas oficialmente se desligou dele em 2002, passando a comandar a organização beneficente Jamaat-ud-Dawa.

De acordo com a correspondente da BBC no Paquistão, Barbara Plett, o único extremista preso pelos ataques em Mumbai teria acusado Saeed de incentivar seu grupo a realizar a operação em um discurso realizado em um campo de treinamento do Lashkar-i-Taiba.

Em entrevista exclusiva à BBC antes de sua prisão, Saeed negou qualquer ligação com os extremistas.

"Eu nego que tenha encontrado esse homem ou que tenha feito um discurso ou que ele tenha se tornado um terrorista por causa do meu sermão."

"Milhões de pessoas têm ligação comigo. O Paquistão é um país. Esses milhões me conhecem, eles me ouvem, e você acha que um terrorista pode dirigir uma grande organização como essa, com o apoio de milhões", questionou.

O Ministério do Interior do Paquistão disse que os escritórios do Jamaat-ud-Dawa estão sendo fechados em todo o país.

Índia

A prisão de Saeed ocorre após o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, ter dito que o Paquistão precisa fazer mais para combater os extremistas que se escondem no país.

Nesta quinta-feira, o chanceler indiano, Pranab Mukherjee, descartou qualquer ação militar contra os vizinhos paquistaneses por causa dos ataques em Mumbai.

"Estou deixando bem claro que essa guerra não é solução", disse, ressaltando que há provas "irrefutáveis" de que a ação extremista foi planejada no Paquistão. O governo paquistanês nega responsabilidade pelo ocorrido.

Antes, o governo indiano havia anunciado uma grande reforma das agências de segurança e inteligência do país para tentar evitar novos ataques como os ocorridos em Mumbai.


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