Líder de colonos judeus é indiciada por ataques

A prisão de uma das principais líderes de colonos israelenses na Cisjordânia foi o último desdobramento de uma onda crescente de episódios de violência de colonos contra palestinos e até mesmo contra policiais e soldados israelenses. Daniela Weiss, de 63 anos, foi indiciada nesta sexta-feira por abrigar em sua casa dois suspeitos de incendiar olivais da aldeia palestina de Kadum.

BBC Brasil |

Ela também foi acusada de agredir policiais e de tentar obstruir as investigações subseqüentes.

Mais que um episódio isolado, a prisão reflete o problema, cada vez maior segundo fontes israelenses, da violência de colonos israelenses contra palestinos e mesmo contra as forças de segurança da região.

Um estudo recente da ONU afirmou que os ataques de colonos chegaram a 222 só na primeira metade deste ano, contra 291 em todo o ano de 2007.

"Há um aumento da violência por parte de judeus em Judéia e Samaria (nomes bíblicos para o sul e o norte da Cisjordânia)", disse o general israelense Gadi Shamni, comandante das forças que controlam a Cisjordânia.

Para o general, "trata-se de uma mudança muito significativa" porque, no passado, apenas alguns indivíduos se envolviam em atividades deste tipo.

Hoje, diz o general, "centenas estão envolvidos em ações conspiratórias contra palestinos e contra as forças de segurança".

Atentado
Daniela Weiss, uma das principais fundadoras do movimento de colonização dos territórios palestinos, ocupados por Israel durante a guerra de 1967, foi indiciada nesta sexta-feira em um tribunal na cidade de Kfar Saba pelo caso do incêndio de olivais na aldeia palestina de Kadum, no norte da Cisjordânia.

Weiss, que faz parte da liderança do movimento dos colonos desde os anos 70, também esteve envolvida na tentativa de instalar um assentamento ilegal, denominado Shvut Ami, nas terras da aldeia de Kadum. A colônia clandestina foi desmontada na quinta-feira pelo Exército israelense.

De acordo com o jornal Haaretz, o incêndio teria sido uma represália dos colonos à retirada do assentamento ilegal.

O incidente na Cisjordânia ocorre uma semana depois de um atentado, em Jerusalém, contra o intelectual pacifista Zeev Sternhell.

Bomba
Sternhell, de 73 anos, um conhecido crítico da ocupação e da colonização dos territórios palestinos, ficou levemente ferido quando uma bomba explodiu junto à porta de entrada de sua casa.

A polícia atribui o atentado a extremistas de direita, mas ainda não prendeu os responsáveis.

Após escapar do incidente, Sternhell afirmou que o atentado "demonstra que a violência dos colonos está vazando dos territórios ocupados para dentro de Israel".

"Se colonos que espancam palestinos, derrubam suas árvores e destroem suas casas, ficam impunes, essa violência também pode ocorrer para o lado de cá da Linha Verde (dentro das fronteiras de Israel)", acrescentou.

Especialista na história do fascismo italiano, Sternhell disse que "esse tipo de impunidade levou ao colapso de democracias frágeis na Europa".

"O atentado contra mim demonstra que a democracia israelense é frágil e que a sociedade deve se organizar para defendê-la", completou.

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