Líder das Farc propõe pauta de conversações de paz

Presidente colombiano rejeita a proposta e diz em seu Twitter que o país exige atos claros de paz em vez de retórica

iG São Paulo |

O líder máximo da guerrilha rebelde colombiana Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) indicou em uma carta ao presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, que está disposto a negociar a paz em discussões que incluem temas como privatizações, depredação ambiental, democracia liberal e a doutrina militar.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, rejeitou a proposta de Rodrigo Londoño, mais conhecido como Timoleón Jiménez ou "Timochenko" para a retomada de um diálogo para a paz, abandonado há uma década.

"Não queremos mais retórica, o país exige atos claros de paz", escreveu Santos pelo Twitter, deixando claro que mantém as pré-condições de deposição de armas, libertação de reféns e suspensão dos ataques por parte dos rebeldes.

Num ato incomum, o novo chefe das Farc enviou uma carta a Santos cujo conteúdo foi divulgado na segunda-feira por portais da internet que difundem informações dos rebeldes.

Saiba mais: Novo líder das Farc está há 30 anos na guerrilha colombiana

Sem fornecer detalhes de sua proposta, "Timochenko" pede a "retomada da agenda que ficou pendente em El Caguán" entre 1999 e 2002, em referência aos últimos diálogos de paz entre as Farc e o governo colombiano, então presidido por Andrés Pastrana (1998-2002). O diálogo ocorreu em uma região de savanas e selvas de 42 mil km² - duas vezes o tamanho de El Salvador.

O líder da guerrilha mais antiga da América Latina afirma que o conflito armado na Colômbia "não terá solução enquanto não atenderem nossas vozes". Há temas que "nos interessam tratar em uma hipotética mesa de conversações, como analisar a questão das privatizações, a desregulamentação, a liberdade absoluta de comércio e investimentos, a depredação ambiental, a democracia de mercado, a doutrina militar", destaca o comunicado das Farc.

Como temas concretos a discutir com o governo, o líder das Farc denuncia que o Exército incrementou sua atividade na região de El Catatumbo (Departamento do Norte de Santander) para expulsar indígenas Barí e oferecer a riqueza mineral e petroleira a grupos multinacionais. "Trata-se da mesma história que ocorre neste país há décadas. Por séculos, uma casta no poder sempre coloca à frente seus interesses."

Timochenko foi nomeado líder das Farc em 15 de novembro , menos de duas semanas após a morte do chefe antecessor, "Alfonso Cano" , em uma operação militar.

O presidente Santos indicou, em várias ocasiões, que o processo de negociação de paz com as Farc está condicionado à libertação dos militares e policiais sequestrados e à suspensão do recrutamento de menores.

Há duas semanas, as Farc anunciaram sua intenção de libertar em breve seis dos 11 policiais e militares que mantêm sequestrados. Como ministro da Defesa, Santos liderou as principais operações contra os chefes das Farc, incluindo o ataque aéreo que em 2008 matou o então número dois da guerrilha, Raúl Reyes.

Em 2010, já como presidente, Santos ordenou a ação militar que liquidou o número dois das Farc, Jorge Briceño ('Mono Jojoy') , e em 2011 conseguiu abater o líder máximo da guerrilha, Alfonso Cano.

"Timochenko", 52 anos, médico de profissão, veio da ala militar das Farc e é tido como um especialista em inteligência. Seu perfil contrasta com o de Alfonso Cano, considerado um intelectual e principal ideólogo das Farc, cuja direção herdou em 2008, após a morte natural do fundador do grupo, Manuel Marulanda "Tirofijo".

As Farc, fundadas há quase meio século, tem atualmente entre 8 mil e 9 mil combatentes, segundo o Ministério da Defesa colombiano.

*Com AFP e Reuters

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