Líder da Unasul diz que Haiti deve coordenar sua reconstrução

Javier Otazu Porto Príncipe, 29 jan (EFE).- A reconstrução do Haiti deve ser conduzida por seu Governo, e não por organizações estrangeiras, segundo o presidente equatoriano (e atual líder da União das Nações Sul-Americanas - Unasul), Rafael Correa, e seu colega haitiano, René Préval, que se encontraram hoje em Porto Príncipe.

EFE |

"Queremos que nossa ajuda, seja muito ou pouco, chegue ao povo haitiano, e o interlocutor, quem deve determinar as prioridades, é o senhor - disse Correa, dirigindo-se a Préval em entrevista coletiva conjunta - e o Governo haitiano".

Correa, que chegou hoje a Porto Príncipe, disse pelo menos cinco vezes que as prioridades na reconstrução do país devem ser fixadas pelo Executivo haitiano, e não devem ser organizadas "a partir da visão dos que querem ajudar".

"Nisto também há muito imperialismo, o imperialismo dos doadores: doam dinheiro, mas a maior parte retorna a eles mesmos, em questões militares, em ONGs...", disse Correa, sem fazer referência concreta a nenhum país.

Préval foi além e se queixou: "esta ajuda não passa pelo Governo haitiano, embora façamos todos os esforços para coordená-la", e citou os casos da Alemanha, França e EUA que decidem seus projetos de ajuda sem comunicação com o Governo local.

"Não queremos determinar a ajuda dos outros, somente coordená-la para responder às nossas demandas", disse Préval.

O Estado haitiano ficou quase desmantelado e não conta com capacidade para coordenar as milhares de toneladas de ajuda recebida, nem para armazenar ou distribuir o material.

Correa chegou ao início da tarde, e sobrevoou a cidade de helicóptero, antes de se reunir com Préval, com quem percorreu a arrasada capital, em um carro, para observar mais de perto os danos causados pelo terremoto do dia 12 de janeiro.

Ao chegar, ainda no aeroporto, Correa recusou entrar na discussão sobre a intervenção dos EUA no Haiti ser excessiva ou não.

"Acho que essa discussão acontecer depois. Neste momento, quanto mais ajuda que vier, de qualquer fonte, melhor", disse.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, parceiro de Correa no bloco da Aliança Bolivariana das Américas (Alba) - que reúne vários Governos latino-americanos de esquerda - criticou a "ocupação" do Haiti pelas tropas americanas após o terremoto, discurso repetido pelos governantes de Cuba e Nicarágua, também integrantes do bloco.

Coincidência ou não, hoje também chegou a Porto Príncipe o vice-chanceler da Venezuela para América Latina e Caribe, Francisco Arias Cárdenas, que iria apresentar ao Governo haitiano alguns projetos em nome dos membros da Alba.

Embora Correa tenha chegado ao Haiti representando a presidência rotativa da Unasul, na entrevista coletiva ocuparam lugar de destaque, junto a ele e a Préval, os embaixadores de Cuba e Venezuela em Porto Príncipe. E não havia outros embaixadores sul-americanos.

O presidente equatoriano lembrou em várias ocasiões que todo o continente americano tem uma dívida com o Haiti, pois, após ser o primeiro país a se tornar independente, em 1804, acolheu o libertador Simón Bolívar.

Seu primeiro presidente, o general Petillon, prometeu a Bolívar todo o apoio para a independência dos países com a única condição de eliminar a escravidão, um gesto que, para Correa, merece por si só a solidariedade com o Governo e o povo do Haiti.

Correa deve passar a noite de hoje com o contingente equatoriano de engenheiros que participam da Missão da ONU no Haiti (Minustah), antes de partir amanhã para a República Dominicana. EFE fjo/fm

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