Líder da Ucrânia russoparlante desponta como favorito à Presidência

Kiev, 16 jan (EFE).- O líder da Ucrânia russoparlante, Viktor Yanukovich, é o grande favorito nas eleições presidenciais do país, que acontecem amanhã, mas todas as pesquisas indicam que o vencedor da disputa será definido em um segundo turno.

EFE |

Alçado à categoria de representante de todos os descontentes com a Presidência de Viktor Yushchenko e o Executivo de Yulia Timoshenko, Yanukovich tem agora a chance de compensar as várias derrotas e revezes que sofreu ao longo de sua carreira política.

Aos 59 anos, o candidato já foi governador de sua província, Donetsk, e duas vezes chegou ao posto de primeiro-ministro da Ucrânia. Experiente, conhece tanto a amargura da derrota como a doçura da revanche.

A biografia de Yanukovich é a típica de um servidor público de perfil soviético: filho de um metalúrgico e uma enfermeira, ele é engenheiro mecânico, doutor em Ciências Econômicas e pós-graduado em Comércio Exterior pela Academia Ucraniana.

Como funcionário do setor privado, durante 20 anos trabalhou para empresas de transporte e do setor energético. Após a desintegração da União Soviética (URSS), entrou para a política, elegendo-se deputado e, mais tarde, vice-governador de Donetsk (1996-1997).

A carreira política de Yanukovich em sua província natal, onde continua sendo um dos principais nomes da classe financeira e política, atingiu o topo em 1997, quando virou governador. Cinco anos depois, ele assumiu oficialmente a chefia do Executivo ucraniano.

Já nas eleições presidenciais de 31 de outubro de 2004, as mais disputadas da história da Ucrânia, Yanukovich, candidato da situação pelo Partido das Regiões, recebeu 39,8% dos votos no primeiro turno.

Seu principal adversário na disputa, o opositor Viktor Yushchenko, teve o apoio de 39,2% dos eleitores.

Os dois voltaram a se enfrentar na segunda etapa da votação, quando Yanukovich (49,4%) derrotou Yushchenko (46,6%) por uma diferença de menos de 3 pontos.

Na época, a derrota do candidato da oposição levou milhares de pessoas às ruas de Kiev, naquela que ficou conhecida como a Revolução Laranja.

Os protestos pacíficos contra as fraudes no pleito forçaram a repetição do segundo turno. Em 26 de dezembro, os ucranianos voltaram às urnas e deram a vitória a Yushchenko (51,9%), que foi bem mais votado que Yanukovich (44,2%).

Depois desse episódio, poucos achavam que aquele político derrotado e humilhado retornaria à chefia do Governo em 4 de agosto de 2006.

Mas, à época, Yanukovich já havia renascido das cinzas após a vitória de sua legenda (Partido das Regiões) no pleito parlamentar de março de 2006.

Contra sua pessoa, no entanto, o candidato tem condenações por assalto e agressão, cumpridas entre os anos 1960 e 1970.

Casado e pai de dois filhos, Yanukovich é visto como máximo representante daqueles que defendem uma maior integração com a Rússia. Ele também é contra a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), uma das principais metas de Yushchenko.

Como membro do Partido das Regiões, a legenda mais votada nas eleições parlamentares de março passado, demonstrou habilidade para costurar alianças, conseguindo o apoio de comunistas e socialistas.

Foi assim que Yanukovich conseguiu a maioria necessária para que o Parlamento propusesse seu nome para o Executivo.

Durante todo esse processo de negociação, ele posou de moderado e não cansou de repetir que estava convencido de que o chefe de Estado adotaria uma decisão a favor da estabilidade do país.

O candidato até se posicionou contra um processo de impeachment contra Yushchenko, defendido por alguns correligionários quando circularam rumores de que o presidente estava cogitando dissolver o Parlamento. EFE bk/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG