Líder da oposição venezuelana pede asilo político no Peru

Por Marco Aquino LIMA (Reuters) - O líder oposicionista venezuelano Manuel Rosales pediu na terça-feira asilo político ao Peru para se proteger de processos judiciais por corrupção, enquanto o governo de Hugo Chávez cogita solicitar uma ordem internacional de captura contra ele.

Reuters |

O parlamentar governista peruano Javier Valle Riestra, que se identificou como advogado de Rosales, informou que a "solicitação de asilo territorial" foi apresentada às 12h15 de terça-feira (14h15 em Brasília), um dia depois de Rosales chegar a Lima como turista, após permanecer semanas escondido na Venezuela.

Uma fonte próxima ao político venezuelano disse que Rosales conta com assessoria também do deputado e ex-premiê Jorge del Castillo, considerado o braço-direito do presidente Alan García.

De acordo com essa fonte, Rosales está no Peru desde quinta-feira com três de seus filhos e com um grupo de outros 20 oposicionistas que também estariam fugindo de Chávez.

Rosales é prefeito de Maracaíbo e foi derrotado por Chávez na eleição presidencial de 2006. Ele estava foragido desde que foi acusado por casos de enriquecimento ilícito na época em que governava o Estado petroleiro de Zulia.

A oposição venezuelana diz que as acusações são parte de uma campanha contra seus adversários, para desviar as atenções dos efeitos da crise global sobre a Venezuela.

Mas o ministro venezuelano de Interior e Justiça, Tareck El Aissami, afirmou em Caracas que, se Rosales não se apresentar aos tribunais, "será um foragido da Justiça e como consequência se ativarão os mecanismos que se determinem para sua captura internacional".

Ele acrescentou que Rosales está sendo processado por um crime comum, não político.

Horas antes, o chanceler peruano, José Antonio García Belaunde, havia dito Rosales encontraria "um trâmite bastante rápido" se decidisse pedir asilo, mas que o fato não afetará as relações entre Lima e Caracas. Pelo menos três outros membros da oposição venezuelana já receberam asilo no Peru nos últimos anos.

Dirigentes do partido de Rosales, o Um Novo Tempo, disseram que o político considera que a investigação na Venezuela está manipulada, já que Chávez anunciou há meses sua intenção de prendê-lo.

A Promotoria venezuelana o acusa de não conseguir justificar a origem de cerca de 68 mil dólares na sua declaração de patrimônio no período 2002-2004. A pena para esse delito é de 3 a 10 anos de prisão.

(Com a colaboração de Teresa Céspedes em Lima e Ana Isabel Martínez em Caracas)

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