Por Cris Chinaka HARARE, Zimbábue - O líder da oposição Morgan Tsvangirai venceu Robert Mugabe na eleição presidencial do Zimbábue, com 47 por cento dos votos contra 43 do atual presidente, disseram importantes fontes do governo na quarta-feira.

Uma fonte disse à Reuters que um segundo turno seria necessário porque Tsvangirai não teve votos suficientes para uma vitória na primeira votação.

O Movimento para Mudança Democrática de Tsvangirai, o MDC, afirmou que triunfou na eleição de 29 de março e acusa Mugabe --no poder há 28 anos-- de atrasar a divulgação dos resultados.

O impasse pela eleição gerou temores de derramamento de sangue no país.

O Zimbábue espera que a eleição alivie as turbulências econômicas. Em vez disso, a falta de alimentos, combustíveis e moeda estrangeira estão piorando e não há sinais de queda da inflação, a maior do mundo, que hoje é de 165 mil por cento.

Mais cedo, o governo de Mugabe chamou a primeira sessão das Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a crise eleitoral no Zimbábue de 'sinistra, racista e colonial' e afirmou que ela não teria impacto sobre o país.

Na reunião do Conselho de Segurança da ONU na terça-feira, as potências ocidentais pressionaram por uma missão ou um enviado da entidade ao Zimbábue, onde os resultados de uma disputada eleição presidencial há quatro semanas não foi divulgado.

'Para nós, essa (sessão da ONU) é um sinal de desespero dos britânicos e dos seus fantoches do MDC. É sinistra, racista e colonial para a Grã-Bretanha tentar atrair todos em apoio da sua agenda neocolonial... mas vai fracassar', disse à Reuters o vice-ministro da Informação, Bright Matonga.

Países europeus, latino-americanos membros da ONU e os EUA deram apoio a um enviado, disseram diplomatas, mas a África do Sul, atualmente presidente do conselho, disse que esse movimento não é uma questão para o conselho.

O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, foi criticado em casa e no exterior por sua aproximação suave junto ao Zimbábue.

A ex-colônia britânica está na linha de frente das pressões externas sobre Mugabe. O país europeu busca um embargo de armas ao Zimbábue, uma investigação sobre a violência após a eleição e pediu que os resultados sejam divulgados imediatamente.

(Reportagem adicional de MacDonald Dzirutwe e Nelson Banya em Harare e Charles Mangwiro em Malema)

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