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Líder da oposição propõe acordo político negociado com governo do Zimbábue

O líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, deixou por algumas horas nesta quarta-feira a embaixada da Holanda, onde havia se refugiado no domingo, e convocou a imprensa em sua residência na capital Harare, onde se declarou disposto a um acordo político negociado com o governo do Zimbábue antes da realização do segundo turno presidencial na sexta-feira.

AFP |

"Proponho um acordo político negociado que permita ao país iniciar um saneamento nacional e um processo de reconstrução econômica, de ajuda humanitária e de democratização, visando ao interesse do país", explicou.

Tsvangirai, no entanto, condicionou essa negociação à libertação de todos os presos políticos.

"Não haverá nenhuma discussão sobre o futuro sem nosso secretário-geral (do Movimento para a Mudança Democrática MDC), Tendai Biti", declarou o político referindo-se ao partidário que se encontra na prisão acusado de subversão, delito passível de pena de morte.

"Todos os presos políticos devem ser libertados imediatamente, incluindo Biti e outras 2.000 pessoas", acrescentou.

Tsvangirai pediu aos países africanos que 'passem imediatamente à ação' no caso das eleições de sexta-feira, que serão realizadas sem a participação da oposição.

"Peço aos chefes de Estado africanos que discutam esta crise", afirmou Tsvangirai.

"Não pode haver esforços de mediação em tempo parcial. A hora da ação é agora. O povo deste país não pode continuar esperando", acrescentou.

O líder opositor também pediu o envio de soldados de manutenção de paz a seu país.

"Não peço uma intervenção militar e sim uma força de manutenção da paz", afirmou, ao se defender das críticas publicadas num artigo do jornal britânico The Guardian nesta quarta-feira, no qual pediu à ONU que promova o "isolamento ativo" do regime de Robert Mugabe, o que requeriria "uma força para proteger o povo".

Tsvangirai pediu ainda um período de transição supervisionado pela União Africana (UA) para que seu "país possa se curar".

Os líderes da África Austral discutem nesta quarta-feira, na Suazilândia, a situação no Zimbábue. Mas a África do Sul, principal potência regional, descartou uma ação militar no território do país vizinho.

"Não pensamos que uma intervenção militar seja necessária no Zimbábue", declarou o vice-ministro sul-africano das Relações Exteriores, Aziz Pahad.

A pressão aumentou nos últimos dias sobre o regime do presidente zimbabuano Robert Mugabe, que está decidido a celebrar na próxima sexta-feira o segundo turno da eleição presidencial, apesar da desistência da oposição.

Depois da coletiva, Tsvangirai voltou para a delegação diplomática holandesa, onde se asilou de forma temporária depois de retirar sua candidatura do segundo turno da eleição presidencial em função da onda de violência e repressão que impera em seu país.

jj-ip/cn/fp

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