Líder da oposição paquistanesa Nawaz Sharif desafia prisão domiciliar

O líder da oposição paquistanesa, Nawaz Sharif, saiu às ruas neste domingo e convocou uma multidão para participar de um protesto contra o governo, desobedecendo assim uma ordem de prisão domiciliar, em um desafio ao governo do presidente Asif Ali Zardari.

AFP |

O ex-primeiro-ministro, que em fevereiro foi afastado da vida política pela Corte Suprema e que lidera agora um movimento de protesto contra o presidente, foi colocado em regime de prisão domiciliar em sua residência de Lahore durante três dias.

No entanto, Sharif saiu de casa para convidar o povo a participar da passeata proibida que deve sair neste domingo de Lahore e chegar segunda-feira a Islamabad.

"Não aceitamos esta decisão. Esta prisão domiciliar é ilegal e imoral. Todas estas decisões são inconstitucionais", afirmou Sharif.

"Vamos nos unir. Saí de casa. Chegou a hora de marcharmos juntos", afirmou Sharif, após deixar sua casa em um 4x4 escoltada por duas caminhonetes com seguranças para se juntar aos manifestantes.

A oposição pede a reabilitação dos juizes destituídos em 2007 pelo regime militar do ex-presidente Pervez Musharraf, começando pelo ex-presidente da Corte Suprema, Muhammad Iftikhar Chaudhry, e diz que Zardari não cumpriu suas promessas neste sentido.

A polícia não pôde ser contatada imediatamente, mas havia indicado, pouco antes, que Sharif estava sob prisão domiciliar por um período de três dias em sua casa, em Lahore.

No centro de Lahore houve tumulto, porque a polícia tentava dispersar os manifestantes com granadas de gás lacrimogêneo.

O governo civil, que está enfrentando a pior crise desde à derrota eleitoral do regime militar de Pervez Musharraf há um ano, tentou conter os protestos, detendo mais de mil opositores e levantando barreiras para impedir a "longa marcha" entre Lahore e Islamabad. Mas as medidas do governo não minaram a determinação da oposição.

"A prisão domiciliar de Sharif e de outros membros da oposição vai apenas aumentar a tensão. O governo quer provocar violência e semear o caos", denunciou Raja Zafar ul-Haq, responsável da Liga Muçulmana do Paquistão (PML-N) de Sharif, primeiro partido da oposição no país.

Pressionada pelos Estados Unidos, a presidência paquistanesa anunciou sábado várias decisões em resposta às reivindicações da oposição, como sua intenção de apelar do veredicto pronunciado em 25 de fevereiro pela Corte Suprema, que exclui os irmãos Sharif da vida política.

jur-sz/lm

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