Líder da oposição no Zimbábue é detido pela terceira vez

Harare, 12 jun (EFE).- O líder do oposicionista Movimento por Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, foi detido hoje novamente no Zimbábue pela terceira vez em oito dias, enquanto fazia campanha em uma localidade do interior do país para o segundo turno das eleições presidenciais do país, marcadas para o dia 27.

EFE |

Tsvangirai viajava em um ônibus com cerca de 20 membros do MDC quando foi detido por aproximadamente duas horas em um controle policial em uma estrada próxima à cidade de Kwekwe, a 180 quilômetros a sudoeste de Harare, e levado juntamente com seus correligionários à delegacia local.

O líder da oposição foi preso em circunstâncias similares às detenções dos últimos dias 4 e 6, enquanto fazia campanha na província de Matabelelândia Sul e nas duas ocasiões foi libertado sem uma acusação formal.

O MDC denunciou as detenções de Tsvangirai como parte da campanha de intimidação empreendida pela União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF, governista) contra os dirigentes e seguidores do partido oposicionista em todo o país.

Esta nova prisão de Tsvangirai aconteceu pouco depois de o secretário-geral do MDC, Tendai Biti, ter sido detido ao chegar ao aeroporto de Harare procedente de Johanesburgo, onde vivia há dois meses.

Pouco antes de deixar a África do Sul, Biti disse aos jornalistas que era muito provável que fosse detido ao chegar ao Zimbábue pela acusação de violar as leis eleitorais do país ao proclamar o MDC como vencedor das eleições gerais de 29 de março, antes do anúncio oficial do resultado.

A legislação eleitoral diz que a Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, em inglês) tem a competência exclusiva para anunciar o resultado do pleito.

Segundo o diretor de Informação do MDC, Luke Tamborinyoka, que esperava Biti no aeroporto, este foi detido por policiais à paisana que o aguardavam e foi retirado do local sem passar pela sala de desembarque.

"Havia dez policias vestidos de civis, (Biti) saiu do avião e foi algemado com as mãos atrás das costas e foi levado para uma sala abaixo do terminal", disse Tamborinyoka à Agência Efe.

O porta-voz do MDC acrescentou que não ficou claro se Biti foi acusado formalmente, já que ele não pôde se comunicar com os advogados do partido.

"Tínhamos vários advogados esperando sua chegada ao aeroporto, mas ele não teve a oportunidade de falar com eles", destacou Tamborinyoka.

O Governo do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, advertiu antes das eleições de 29 de março que consideraria qualquer anúncio de resultado eleitoral por parte da oposição como uma "tentativa de golpe de Estado".

Em entrevista coletiva no dia 2 de abril, Biti anunciou o resultado do pleito tendo como base os números publicados pela ZEC nas seções eleitorais.

"O Zanu-PF perdeu as eleições e Morgan Richard Tsvangirai é o próximo presidente do Zimbábue", disse Biti na ocasião.

Apenas após intensa pressão local e internacional, a ZEC anunciou o resultado em 2 de maio.

Segundo a ZEC, Tsvangirai recebeu 47,9% dos votos contra 43,2% de Mugabe, e era necessária a realização de segundo turno, já que nenhum candidato obteve mais de 50%. EFE sk/wr/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG