Líder da oposição no Zimbábue é detido em duas ocasiões

O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, foi detido pela polícia em duas ocasiões nesta quinta-feira, o mesmo acontecendo com o seu número dois, Tendai Biti, acusado de traição informou seu partido, o Movimento para uma Mudança Democrática (MCD).

AFP |

Tsvangirai ficou detido a primeira vez durante duas horas no centro do país, sendo liberado pouco depois: à noite foi novamente preso numa estrada, durante um controle.

Em oito dias a polícia deteve Tsvangirai por quatro vezes, num momento em que ele se prepara para derrotar o atual presidente Robert Mugabe no segundo turno das eleições presidenciais de 27 de junho.

"Nos prenderam quando o ônibus da campanha se aproximava de Kwekwe e agora nos levam para a delegacia de Kwekwe", disse à AFP por telefone George Sibotshiwe, o porta-voz de Tsvangirai, durante a primeira detenção.

O candidato opositor viajava de ônibus ao lado de 20 dirigentes e integrantes do MCD.

Mais cedo nesta quita-feira, o secretário-geral do MCD, Tenda Biti, foi preso no aeroporto de Harare, após retornar ao país, depois de várias semanas de um exílio voluntário, indicou o MCD.

"Ele foi levado por policiais à paisana assim que o avião chegou", declarou à AFP o diretor de informação do MCD, Luke Tamborinyoka. "Algemaram ele e o levaram para um local no subsolo" do aeroporto, acrescentou.

O partido esperava a prisão e havia enviado advogados, mas "eles não tiveram tempo de falar com ele", acrescentou Tamborinyoka, que também estava no aeroporto.

Tendai Biti será acusado de traição, anunciou um porta-voz policial nesta quinta-feira.

"Será acusado de ter violado o artigo 20 do Código Penal por ter publicado um documento que explicava uma estratégia de transição em 26 de março, que neste caso é uma acusação de traição", declarou à AFP o porta-voz da polícia nacional, Wayne Bvudzijena.

A televisão nacional anunciou em abril que Biti era suspeito de ser o autor de uma conspiração para falsificar os resultados das eleições gerais de 29 de março.

As autoridades também acusam o secretário-geral de ter violado a lei eleitoral ao anunciar a vitória da oposição nas eleições, sem esperar os resultados oficiais.

A oposição vem enfrentando inúmeros problemas em sua campanha pelo segundo turno, apesar de Tsvangirai liderar a primeira rodada de votos com quase cinco pontos de vantagem sobre o presidente Robert Mugabe, de 84 anos, no poder desde 1980.

Os encontros da oposição são regularmente proibidos e dezenas de partidários estão na prisão. O MDC afirma que nos últimos dois meses, 66 militantes foram assassinados, 200 estão desaparecidos e 3.000 foram hospitalizados.

O regime afirma que a violência é organizada pela oposição, mas as Nações Unidas consideram que a maior parte desses ataques pode ser atribuída aos seguidores de Mugabe.

O MCD pediu em várias oportunidades a mobilização de observadores nos comícios. Contudo, as autoridades só concedem autorização para as equipes africanas ou para países "amigos".

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