Líder da oposição na Venezuela pede asilo político ao Peru

O líder de oposição venezuelano Manuel Rosales, ex-candidato à Presidência, oficializou pedido de asilo político ao governo peruano nesta terça-feira, alegando que é vítima de perseguição política em seu país. O advogado de Rosales em Lima, Javier Valle-Riestra, disse que o pedido foi feito ao Ministério das Relações Exteriores do Peru por meio da entrega de documentos que, segundo ele, confirmariam que o governo do presidente Hugo Chávez realiza uma perseguição permanente a Rosales e a sua família.

BBC Brasil |

O pedido de asilo foi feito logo depois das declarações do ministro do Interior da Venezuela, Tareck El Aissami, de que pedirá à Interpol a captura internacional de Rosales se o oposicionista não se apresentar ao tribunal venezuelano onde enfrenta julgamento sob acusação de corrupção.

De acordo com Javier Valle-Riestra, a captura não será viável porque Rosales já pediu asilo político.

Além de advogado especialista em assuntos internacionais, Valle-Riestra é congressista e um importante líder do partido do presidente do Peru, Alan García.

Acusações
O líder da oposição deveria ter comparecido nesta segunda-feira ao tribunal.

Rosales foi acusado pelo Ministério Público (MP) do Estado de Zulia de enriquecimento ilícito durante sua gestão como governador.

O MP afirma que Rosales não pode comprovar a procedência de US$ 68 mil em sua declaração de patrimônio relativa aos anos de 2002 a 2004.

Os membros da oposição venezuelana dizem que Rosales não cometeu nenhuma irregularidade e que o julgamento é parte de uma "onda de perseguição política" do governo a seus adversários.

O governo, por sua vez, defende a aplicação da lei e o julgamento por corrupção.

Relações diplomáticas
Rosales não era visto em público desde março, quando anunciou estar "refugiado" no interior do Estado de Zulia (oeste do país).

A imprensa peruana, citando fontes diplomáticas, afirma que Rosales entrou no país no domingo, acompanhado da família.

Desde então, abandonou suas funções como prefeito da cidade de Maracaibo, a segunda maior da Venezuela, delegando o cargo a um ex-deputado.

Rosales foi o dirigente que uniu a fragmentada oposição venezuelana nas eleições presidenciais de 2006 e enfrentou o presidente Hugo Chávez nas urnas como candidato de mais de 40 partidos. No entanto, foi derrotado por Chávez, que recebeu 63% dos votos.

O analista internacional peruano Alejandro Deustua teme que esta situação possa afetar as relações diplomáticas entre Peru e Venezuela, frágeis há algum tempo pela série de discussões entre Chávez e Alan García.

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