Líder da oposição malaia deixa prisão após pagar fiança

Kuala Lumpur - O líder da oposição e ex-vice-primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, foi colocado hoje em liberdade após pagar fiança depois de passar a noite preso para responder a uma acusação de sodomia apresentada em meio à deterioração da imagem do governo.

EFE |

Anwar saiu da prisão após pagar uma fiança de 150 mil ringgits (cerca de US$ 46,5 mil) e ser informado da necessidade de comparecer à Polícia no próximo dia 18.

Na saída das dependências policiais, o líder opositor reiterou sua inocência e duvidou que a Polícia, que o interrogou durante oito horas na última quarta, disponha de provas para apresentar o caso aos tribunais de Justiça.

"Isto significa que (a Polícia) não tem um caso contra mim", declarou Anwar aos jornalistas e a alguns partidários que o aguardavam na saída da delegacia central da Polícia.

O advogado Sankara Nair disse que a Polícia concedeu a liberdade a Awar após o pagamento de uma fiança, e que este deve retomar imediatamente à atividade política como líder "efetivo" do Partido Justicialista Popular (Keadilan), o principal grupo da oposição.

Prisão

A Polícia deteve na última quarta o líder opositor para interrogá-lo após o testemunho de um ex-colaborador seu que o acusa de tê-lo sodomizado, a mesma acusação que levou Anwar à prisão dez anos atrás e da qual foi absolvido em 2004.

O líder estudantil Mohd Saiful Bukhari Azlan, de 23 anos, que trabalhou na equipe de Anwar durante as eleições gerais do último dia 8 de março, denunciou à Polícia que foi sodomizado por seu ex-chefe no último dia 26.

Anwar, de 61 anos, afirma que tal acusação faz parte de uma conspiração criada por políticos do governo para impedir que ele possa ocupar uma cadeira no Parlamento e também para diminuir o apoio popular da oposição.

Antes de ser preso, Anwar admitiu que após a acusação de sodomia seu partido encontrou dificuldades para atrair os políticos malaios que cogitam a hipótese de abandonar a coalizão governamental dirigida pelo primeiro-ministro da Malásia, Abdula Badawi.

A versão de Anwar foi rejeitada pelo "braço direito" de Abdula, o ministro do Interior (Syed Hamid Albar), que diz que a acusação de sodomia não esconde um objetivo político.

"Não existe um motivo malicioso nem é uma conspiração", declarou o ministro do Interior.

A mulher de Anwar, Azizah Ismail, e importantes membros do partido também acusam o Governo de Abdula de tentar prejudicar a vida política de Anwar por considerá-lo uma ameaça para o poder da coalizão governamental, que governa a Malásia desde 1957.

Anwar foi colocado em liberdade após pagar fiança no mesmo dia em que a Organização Nacional para a Unidade Malaia (Unmo) iniciou uma série de reuniões para traçar uma nova estratégia política e decidir se manterá Badawi à frente da coalizão governamental apesar do revés sofrido nas últimas eleições.

"Os membros precisam encontrar fórmulas para manter a unidade para garantir que o partido continue sendo relevante", declarou Ahmad.

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