Líder da oposição é o primeiro-ministro do governo de coalizão do Quênia

O presidente queniano, Mwai Kibaki, anunciou neste domingo que o líder da oposição, Raila Odigna, será o primeiro-ministro do novo governo de coalizão, cuja formação deve acabar com a sangrenta crise que afetou o Quênia depois das eleições de dezembro do ano passado.

AFP |

Na sede da presidência queniana em Nairóbi e na presença de Odinga, líder do Movimento Democrático Laranja (ODM, na sigla em inglês, oposição), Kibaki afirmou que o novo governo de "grande coalizão" deve "construir um novo Quênia", depois da onda violência político-étnica posterior às eleições de 27 de dezembro, marcadas por irregularidades.

"Construamos um novo Quênia, no qual a justiça seja nosso escudo e onde a paz, a justiça e a abundância existirão em todo o país", disse Kibaki em um discurso exibida ao vivo pelas televisões quenianas.

O governo de coalizão terá como vice-premieres Uhuru Kenyatta, filho do primeiro presidente do país, Jomo Kenyatta, e representante do partido no poder, e Musalia Musavadi, representante do opositor ODM.

O governo e a oposição dividem ainda os ministérios, segundo o acordo concluído em 28 de fevereiro entre Kibaki e Odinga, em negociações que tiveram como mediador o ex-secretário-geral da ONU Kofi Anan para acabar com a onda de violência pós-eleitoral.

O fato da oposição não ter aceitado a reeleição de Kibaki desatou uma crise política no Quênia (país considerado até então uma das nações mais estáveis da África), que deixou 1.500 mortos e mais de 300.000 deslocados.

Desde a assinatura do acordo, as negociações entre os dois lados estiveram marcadas pela desconfiança mútua e uma troca de acusações de tentativas de sabotagem no que diz respeito à aplicação do texto.

O acordo havia sido ratificado pelo Parlamento em 18 de maio, mas as divergências persistiam no que diz respeito à formação do futuro gabinete.

Kibaki e Odinga chegaram finalmente a um acordo em 3 de abril sobre a composição do governo que seria encabeçado pelo líder do ODM.

No entanto, dois dias depois, as diferenças voltaram a ser evidentes, mas desta vez o motivo foi a atribuição dos cargos.

Com a perspectiva de um novo bloqueio na situação política do país, que poderia provocar uma nova onda de violência, a comunidade internacional multiplicou as pressões sobre os dirigentes quenianos.

Os Estados Unidos, aliados tradicionais do Quênia, pediram a formação rápida de um governo de coalizão e ameaçaram estabelecer responsabilidades e agir em conseqüência no caso de um novo fracasso.

Os temores de novos atos violentos voltaram quando no início da semana foram registradas várias manifestações no bairro de Kibera, reduto de Odinga no subúrbio da capital.

O acordo definitivo veio sábado, depois de uma reunião entre os dois dirigentes.

bur-mc/fp

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