Líder da oposição é eleito primeiro-ministro da Tailândia

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 15 dez (EFE).- O líder do opositor Partido Democrata, Abhisit Vejjajiva, foi eleito hoje primeiro-ministro da Tailândia em uma disputada eleição parlamentar realizada em meio à crise causada pela luta entre seguidores e detratores do ex-chefe de Governo Thaksin Shinawatra, deposto em 2006.

EFE |

Vejjajiva, de 44 anos, obteve 235 votos, contra 198 de seu oponente, o líder do Puea Pandin (Partido dos Tailandeses), Pracha Promnok, candidato dos seguidores de Shinawatra e membro da coalizão do atual Governo.

O novo chefe do Governo se impôs na votação graças ao apoio de 68 parlamentares que deixaram a antiga coalizão governamental.

Embora Vejjajiva não tenha dado declarações hoje, esperando que seu cargo seja sancionado pelo rei Bhumibhol, o secretário-geral do Partido Democrata, Suthep Thaugsuban, disse que ele formará seu gabinete em sete dias.

Suthep assinalou que o próprio Vejjajiva, um economista graduado com honras em Oxford, se encarregará dos assuntos econômicos.

Promnok, ex-chefe da Polícia Nacional, felicitou Vejjajiva, o terceiro chefe de Governo do país em menos de um ano após o Tribunal Constitucional desabilitar Samak Sundaravej e Somchai Wongsawat, ambos do dissolvido Partido do Poder Popular (PPP).

A vitória do Partido Democrata, que volta ao poder após oito anos na oposição, satisfez a Aliança do Poder Popular, cujos militantes bloquearam durante mais de uma semana os dois aeroportos de Bangcoc e ocuparam durante 193 dias a sede do Governo para exigir a queda da Administração anterior.

Por outro lado, os seguidores de Shinawatra, conhecidos como "camisas vermelhas" por sua indumentária, promoveram incidentes violentos hoje em frente à sede do Parlamento, ferindo várias pessoas, entre elas um jornalista local.

Cerca de 200 deles levantaram barricadas com cercas metálicas, jogaram garrafas para o interior do edifício e atiraram pedras contra os carros estacionados na zona.

O novo primeiro-ministro comprometeu-se a devolver aos investidores a confiança na economia tailandesa e a reabilitar a imagem do país, danificada pela crise política e econômica.

A economia tailandesa se viu afetada pelas turbulências do mercado internacional, mas também pelo fechamento dos aeroportos de Bangcoc, que retiveram 350 mil passageiros e prejudicaram seriamente o turismo, um dos principais motores do país.

O perdedor da sessão parlamentar Promnok, era o candidato de consenso proposto pela principal formação da coalizão governamental, o Puea Thai (Partidos dos Tailandeses), refundação do dissolvido PPP.

O Puea Thai é composto pelos antigos parceiros de Shinawatra, deposto por um golpe de Estado militar em 2006 e condenado em outubro a dois anos de prisão por abuso de poder, acusação que o ex-chefe, no exílio, nega.

A Aliança iniciou os protestos em maio para derrubar o Governo, formado por antigos parceiros de Shinawatra.

Os protestos, que se causaram diversos mortos e centenas de feridos, terminaram no dia 2 deste mês, depois de o Tribunal Constitucional dissolver o PPP por fraude eleitoral, junto com outras duas formações da coalizão governamental, e desabilitar o primeiro-ministro, Somchai Wongsawat.

Shinawatra dirigiu-se no sábado passado, por vídeo, a cerca de 40 mil simpatizantes reunidos no Estado Nacional da capital e qualificou a decisão do Tribunal Constitucional de "um golpe de Estado encoberto".

Também criticou o Exército por expressar publicamente sua simpatia ao Partido Democrata, apoiado pela população urbana e setores próximos à monarquia.

Shinawatra, que alcançou grande fortuna graças ao negócio das telecomunicações na Tailândia, ganhou o apoio das áreas rurais do país, que representam mais de 60% do eleitorado, graças a suas políticas de acesso universal à Saúde e a microcréditos. EFE grc/jp

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