Líder da oposição do Zimbábue diz estar disposto a negociar

Johanesburgo, 23 jun (EFE).- O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, assegurou hoje que está pronto para negociar com o partido Zanu-PF, atualmente no poder, sob a condição indispensável de que a violência instaurada no país chegue ao fim.

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"Estamos preparados para negociar com o Zanu-PF, mas certamente é importante que alguns princípios sejam aceitos antes de começarem as negociações", declarou Tsvangirai à rádio sul-africana "702".

"Uma destas condições é que a violência contra o povo chegue ao fim", acrescentou.

Tsvangirai anunciou ontem em entrevista coletiva que o Movimento para a Mudança Democrática (MDC) não concorreria ao segundo turno das eleições presidenciais que estão previstas para o próximo 27 de junho. Ele acusa os membros do Zanu-PF, o Exército do país e a Polícia de terem matado cerca de 70 de seus partidários.

O Governo do Zimbábue reagiu a tais declarações ao afirmar que as ameaças não estão sendo levadas a sério.

"Esta é a 11ª vez que Tsvangirai ameaça não participar do segundo turno das eleições presidenciais e em cada ocasião ele foi desafiado a apresentar o anúncio por escrito, como exige a lei", disse ontem o ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, em entrevista coletiva.

A União Africana (UA) pronunciou hoje um comunicado no qual assinala que a saída de Tsvangirai da disputa eleitoral e os crescentes atos de violência (...) são motivos de profunda preocupação para a Comissão da UA.

O presidente da Comissão, Jean Ping, pediu aos partidos do Zimbábue que trabalhem para superarem os desafios enfrentados atualmente pelo país.

Tsvangirai recebeu hoje o apoio do ex-candidato à Presidência e ex-ministro do Governo de Mugabe, Simba Makoni. "É totalmente compreensível e apropriado que Tsvangirai não queira se candidatar às eleições", disse hoje à rádio local "702". "Deveria ter tomado a decisão muito antes", acrescentou.

A violência foi intensificada no Zimbábue após o primeiro turno da eleição, que foi realizado em 29 de março. O MDC conquistou o poder no Parlamento. No entanto, nenhum dos candidatos conseguiu obter a maioria absoluta necessária no Zimbábue para chegar à Presidência.

Tsvangirai obteve 47,9% dos votos e Mugabe, 43,2%, embora o MDC nunca tenha aceitado os resultados, que segundo eles foram armados para favorecer o atual presidente.

Robert Mugabe, de 84 anos, é presidente do Zimbábue desde a independência do país em 1980. Mugabe expressou publicamente em várias ocasiões que nunca cederia o poder aos partidos de oposição, pois acredita que eles são marionetes dos Estados ocidentais. EFE hc/fh/fal

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