Líder da oposição diz que assumirá governo em Madagascar

O líder da oposição em Madagascar, Andry Rajoelina, afirmou em uma entrevista à BBC nesta segunda-feira que tem um mandato para liderar um governo de transição no país africano.

BBC Brasil |

As declarações foram dadas horas depois de cerca de cem soldados acompanhados por tanques terem invadido e ocupado um dos palácios do presidente de Madagascar, Marc Ravalomanana. Ele não estava no local no momento.

Rajoelina, um ex-DJ de 34 anos, negou que a invasão do palácio faça parte de um golpe de Estado. Ele, no entanto, afirmou que o presidente Ravalomanana não tem mais o direito ou o poder para comandar o país.

AFP
Soldados invadem palácio do presidente de Madagascar Marc Ravalomana

"Isto não é um golpe militar. Mas a vida do país não para. Nós não podemos ter um vácuo de poder. Queremos estabelecer um governo de transição que vai organizar eleições livres e justas nos próximos 18 ou 24 meses. Eu tenho o mandato de mais de 60 partidos políticos para liderar esta transição", afirmou Rajoelina ao programa Newshour, da BBC.

Democracia

O líder da oposição ainda classificou o presidente do país como um tirano que desperdiça o dinheiro público.
Mesmo reconhecendo que o presidente foi eleito em eleições livres, Rajoelina afirmou que Marc Ravalomanana não pode continuar no comando do país.

"Nós o elegemos para respeitar a lei e a Constituição. Ele não pode fazer o que quiser com o país", afirmou.
"Para nós, este presidente não tem mais o direito nem o poder para governar".

Horas antes, o líder oposicionista pediu a prisão do presidente e ganhou o apoio do autodeclarado novo chefe das Forças Armadas do país.

A União Africana condenou o que descreveu como um "golpe de Estado" e pediu que a Constituição de Madagascar seja respeitada.

Segundo o correspondente da BBC em Madagascar, Jonah Fisher, Rajoelina se apresenta como um defensor da democracia, mas quer substituir um presidente eleito sem ir às urnas.

Crise

Enquanto isso, o presidente Marc Ravalomanana permanece abrigado em um outro palácio, a 15 km do centro da capital Antananarivo.

Centenas de apoiadores de Ravalomanana estão acampados nas imediações do palácio.

O presidente teria afirmado estar disposto a morrer resistindo junto com sua guarda.

Após ser reeleito presidente, em dezembro de 2006, Ravalomanana abriu a economia do país para investimentos externos, mas correspondentes dizem que a medida não melhorou significativamente os indicadores sociais no país, onde 70% dos 20 milhões de habitantes vivem abaixo da linha da pobreza.

Desde janeiro, a queda de braço entre o presidente e o líder da oposição, Andry Rajoelina, que era prefeito da capital, já deixou mais de cem mortos.

No final de janeiro, Rajoelina rompeu com o presidente e foi afastado do governo de Antanarivo por Ravalomanana, o que levou a um aumento dos protestos.

Na semana passada, o Exército passou a apoiar Rajoelina após o chefe das Forças Armadas ter sido substituído pelo general rebelde Andre Ndriarijaona.

"Defendemos o povo de Madagascar", disse o general. "Se Ravalomanana pode resolver o problema, nós o apoiamos."
No início da segunda-feira, o presidente havia proposto uma consulta popular para resolver o impasse, mas Rajoelina recusou a proposta, dizendo que "o povo está sedento por mudanças".

"Por isso, não faremos um referendo, mas instalaremos um novo governo transitório", afirmou o oposicionista.

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