O líder da oposição iraniana, Mir Hossein Moussavi, se declarou nesta sexta-feira disposto a virar mártir em sua luta contra a reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad, e pediu ao governo ultraconservador que ponha fim à repressão para que o país saia da crise, assinalou em seu site nesta sexta-feira.

"Não rejeito a ideia de vira mártir como os que fizeram esse sacrifício depois das eleições para obter a satisfação de suas exigências nacionais e religiosas", escreveu o ex-primeiro-ministro em um comunicado publicado na página Kaleme.org, o primeiro desde as violentas manifestações de domingo passado.

"Meu sangue não é mais vermelho do que o deles", acrescentou Moussavi, cujo sobrinho figura entre as oito pessoas mortas durante as manifestações antigovernamentais realizadas durante o dia de luto xiita da Ashura. Esses enfrentamentos também deixaram centenas de feridos e pessoas presas, de acordo com as autoridades.

Esta mobilização da oposição foi a mais significativa e mais sangrenta desde as grandes manifestações que tiveram lugar depois da reeleição, em junho passado, do presidente iraniano, que deixaram 36 mortos, segundo o governo, e 72 de acordo com a oposição.

O líder da oposição também se dirigiu diretamente ao governo iraniano.

"O governo deve assumir suas responsabilidades pelos problemas que ele criou no país, libertar os presos políticos e reconhecer o dieito do povo de se reunir".

"Digo claramente que enquanto não se reconhecer que existe no país uma grave crise, não será possível superar os problemas", acrescentou.

"Digo claramente e de forma explícita que as ordens de executar, matar e encarcera (outro líder da oposição Mehdi) Karubi, Moussavi ou pessoas como nós não resolverá nada", enfatizou.

Moussavi também rejeitou as acusações das autoridades de que os contestatários - segundo os quais as eleições de 12 de junho foram fraudulentas - atuaram em conluio com o Ocidente.

"Acho que é preciso destacar que temos dentro do movimento verde uma identidade islâmica e nacional, e nos opomos a toda dominação estrangeira. Somos fieis à Constituição", acrescentou, desmentindo assim que a impugnação do resultado das eleições presidenciais tenha se transformado numa campanha para derrubar o regime islâmico.

O site Kaleme.org afirma que Moussavi jamais deixou sua casa, apesar das informações em contrário. Na quarta-feira, a agência de notícias IRNA anunciou sua partida e a de Karubi para o norte do Irã.

Na véspera, a IRNA reiterou que "alguns chefes da sedição (como as autoridades chamam a oposição) partiram de Teerã para se refugiar no norte", apesar de vários desmentidos da oposição e de uma agência vinculada ao poder político.

aet/cn

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