Líder da oposição descarta golpe no Zimbábue se vencer eleições

Johanesburgo, 13 mai (EFE) - O líder da oposição do Zimbábue, Morgan Tsvangirai, descartou hoje a possibilidade de ocorrer um golpe militar caso vença o segundo turno das eleições presidenciais. Não acho que nenhum golpe ou insurreição seja do melhor interesse dos militares nem do país, afirmou Tsvangirai em entrevista em Johanesburgo. Não temo que vá haver um golpe, insistiu.

EFE |

Tsvangirai, de 56 anos, líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC, em inglês), ficou em primeiro lugar nas eleições presidenciais de 29 de março, com 47,9% dos votos, mas o resultado não foi suficiente para evitar uma segunda rodada.

Na nova votação, cuja data ainda não foi estabelecida, Tsvangirai concorrerá com o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, de 84 anos e no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, que obteve 43,2% dos sufrágios.

Antes do primeiro turno, os comandantes-em-chefe das Forças Armadas e da Polícia expressaram publicamente seu apoio a Mugabe e deram a entender que não viam possibilidades de que o país fosse governado por outra pessoa.

Segundo o líder opositor, a posição da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, em inglês), que fiscaliza a vida política dos países da região, "é muito clara em relação a possíveis golpes, que não são aceitáveis".

"Um golpe não é uma opção sustentável", acrescentou.

Tsvangirai, que há mais de um mês vive fora do país, onde aumentou a repressão policial contra os partidários da oposição, se mostrou favorável a buscar com os militares mecanismos para um "reforço mútuo" e para "edificar a confiança" entre os soldados e a oposição.

Em suas viagens fora do Zimbábue, Tsvangirai se reuniu com líderes da região para insistir na necessidade de uma transição pacífica no poder, e hoje disse que um dos temas que viu nesses contatos é a relação que terá com os militares caso chegue ao poder.

"Todos reconhecemos que os militares têm um papel importante", acrescentou, e assinalou que, apesar das velhas lealdades políticas que há nas fileiras militares, seu partido "não pensa em perseguir ninguém".

"As forças uniformizadas são parte da solução para a estabilidade e a democracia", insistiu.

O MDC, acrescentou, ofereceu uma série de condições e garantias que reconhecem o papel que tiveram alguns chefes militares na luta contra a independência e ofereceu a todos a possibilidade de que renunciem voluntariamente, com todos os seus direitos.

Tsvangirai, que disse que estes princípios foram transmitidos aos chefes militares, destacou que não tinha recebido nenhuma resposta.

Evitou detalhar como tinham sido os contatos e quem os tinham realizado.

Na entrevista, o líder da oposição disse que o Exército e a Polícia são instituições do Estado e assinalou que o MDC "não está chegando ao Governo para criar outro Exército".

"A crise do Zimbábue não é só uma disputa eleitoral, mas uma transferência de poder", acrescentou.

O candidato presidencial do MDC afirmou que a crise política e econômica pela qual passa o Zimbábue, a pior de sua história, "tem que ser resolvida coletivamente", e apostou nas gestões da SADC.

"A SADC tem a necessária influência. A pressão internacional foi muito grande nesta organização para que faça algo", disse Tsvangirai.

Por enquanto, se mostrou satisfeito com o fato de que a SADC, da qual são membros 14 países, esteja disposta a enviar forças de paz ao Zimbábue e também observadores eleitorais para o segundo turno.

EFE ag/db

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