Líder da oposição de Mianmar será julgada, diz advogado

A líder da oposição de Mianmar, Aung San Suu Kyi, deverá ser julgada no próximo dia 18 por violar as regras de sua prisão domiciliar, segundo informou um de seus advogados, Hla Myo Myint.

BBC Brasil |

Suu Kyi foi levada de sua casa em Yangun para ouvir as acusações em Insein, uma prisão de segurança máxima onde estão detidos outros dissidentes políticos.

A líder da oposição foi acusada de violar as regras depois que um americano tentou visitá-la em casa, aparentemente sem ter sido convidado. Ele também será julgado por crimes ligados à imigração e segurança, acrescentou o advogado.

John Yettaw, que segundo as autoridades de Minmar é veterano da Guerra do Vietnã, foi preso depois de ter atravessado a nado o lago em frente à casa de Suu Kyi e ter se escondido lá por dois dias.

As acusações ainda não foram confirmadas pelo governo, mas segundo o correspondente da BBC no sudeste da Ásia, este parece ser um pretexto para manter a líder dissidente presa até as eleições de 2010, quando a junta militar que governa Mianmar espera obter alguma legitimidade.

'Ridículo'

O advogado Jared Genser, que representa a família de Suu Kyi e assessora sua equipe legal, afirmou que vai contestar as acusações.

"A acusação é de violar os termos de sua prisão domiciliar, e o que seu advogado vai fazer é argumentar que claro que isso é ridículo porque, sim, pelos termos de sua prisão, ela não pode convidar pessoas a visitá-la. Mas está claro que ela não convidou essa pessoa a visitá-la", disse Genser à BBC. "Se alguém aparece na porta dela, violando as leis de Mianmar, ela não pode ser responsabilizada."

Um porta-voz da Liga Nacional para a Democracia (LND), Nyan Win, disse que foi informado pelo advogado de Suu Kyi sobre o plano de julgá-la junto a duas mulheres que moram com ela.

Testemunhas disseram tê-la visto ser levada de casa com as duas assistentes em um comboio policial. As informações são de que ela será acusada de acordo com a legislação que garante a segurança do Estado contra elementos subversivos, o que poderia resultar em uma sentença de três a cinco anos de prisão.

O principal advogado de Suu Kyi, Kyi Win, responsabilizou o americano pela prisão, referindo-se a ele como "um tolo". Segundo o correspondente da BBC no sudeste asiático, não estão claros os motivos do "visitante".

A líder dissidente, que recebeu um Nobel da Paz por sua luta para tentar reestabelecer a democracia em Mianmar, passou a maior parte dos últimos 19 anos em prisão domiciliar.

Sua última sentença começou a ser cumprida em maio de 2003, depois de conflitos entre ativistas da oposição e manifestantes favoráveis ao governo militar de Mianmar.

A prisão domiciliar foi estendida no ano passado, numa decisão que, segundo analistas, é ilegal até mesmo para os limites determinados pela junta militar. Esta última sentença deveria expirar no fim de maio.

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