Líder da extrema-direita alemã será julgado por racismo na Copa de 2006

Berlim, 14 jan (EFE).- O líder do ultradireitista Partido Nacional Democrata Alemão (NPD), Udo Voigt, deverá comparecer perante a Justiça, depois que um tribunal de Berlim aceitou hoje para trâmite os processos por instigação ao ódio racial e ofensas apresentados pela Federação Alemã de Futebol (DFB) em 2006.

EFE |

Segundo a porta-voz do tribunal, Iris Berger, o magistrado e a defesa discutem ainda a data de início do processo contra Voigt e outros dois altos funcionários do NPD por uma campanha contra um jogador alemão negro durante a Copa do Mundo de 2006.

Em março do ano passado, a Promotoria de Berlim acusou formalmente Voigt de ter elaborado um panfleto para a Copa do Mundo que discriminava o então jogador do Werder Bremen e da seleção alemã Patrick Owomoyela.

A denúncia contra os três dirigentes neonazistas foi apresentada pela DFB em 2006, após a federação tomar conhecimento da existência do panfleto, que o NPD distribuiu entre os simpatizantes do partido.

Na capa aparecia a imagem de um jogador de costas com a camiseta da seleção nacional e o número 25, usado habitualmente por Owomoyela, filho de uma alemã e de um nigeriano.

O jogador, que hoje está no Borussia Dortmund, explicou na época que o folheto defendia claramente uma seleção alemã sem atletas de origem estrangeira.

"Dói comprovar como você é usado para uma campanha ultradireitista. Até agora, não tinha enfrentado um ataque tão direto", disse então o jogador.

Em cima da imagem do panfleto neonazista figurava o lema "Branco.

Não só a cor de uma camiseta! Por uma autêntica seleção nacional".

Para a Promotoria, esse panfleto neonazista pretendia denunciar que Owomoyela, assim como outros possíveis jogadores não brancos, eram indignos de representar a Alemanha como membros da seleção do país.

O tribunal de Berlim de primeira instância inicialmente tinha marcado as primeiras audiências orais para 3 e 10 de março, mas o processo foi adiado porque o acusado não recebeu a intimação correspondente nos endereços oficiais, explicou a porta-voz da corte. EFE umj/db

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