Líder da disputa presidencial no Uruguai diz ter Lula como modelo

O candidato à presidência do Uruguai, José Pepe Mujica, de 74 anos, afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o modelo que pretende seguir caso seja o vencedor das eleições uruguaias, que terão o primeiro turno realizado no próximo dia 25.

BBC Brasil |

"Para mim, Lula é um modelo de presidente, porque demonstrou uma enorme capacidade de negociação e conseguiu transformar os conflitos em saídas", disse Mujica em entrevista à BBC Brasil em Buenos Aires.

Candidato do governo do atual presidente, Tabaré Vázquez, Mujica lidera as pesquisas de opinião, com mais de 40% das intenções de voto. Para ser eleito já no primeiro turno, o sucessor de Vázquez precisará de 50% e mais um dos votos dos uruguaios.

"Lula é um negociador, um conciliador", acrescentou Mujica. "Negociar significa conseguir alguma coisa da outra parte, mas ceder também. Pelo menos, assim, se pode ir avançando."

O ex-guerrilheiro e ex-ministro da Agricultura na gestão de Vázquez afirmou que prefere seguir o "modelo conciliador" de Lula do que fazer uma opção pelo confronto.

"O outro caminho é manter um enfrentamento permanente na sociedade e, então, se gasta muita energia e leva a divisões dentro da sociedade. É preciso evitar que se façam dois grupos, um a favor e outro contra", disse Mujica.

"Se estivéssemos no Caribe, na Venezuela, não sei o que seria, mas é outro mundo. No Uruguai, esse modelo (de enfrentamento) não é viável", completou.

Mercosul

Apesar dos elogios a Lula, que descreveu como um "velho amigo" e diz conhecer "desde que era sindicalista", Mujica admitiu que Brasil e Uruguai ainda têm divergências na relação bilateral e na maneira como enxergam os planos de integração regional.

AP
Mujica fala durante comício nesta segunda-feira

Mujica fala durante comício nesta segunda-feira

"Temos dificuldades no comércio", disse o candidato. "Os países do Mercosul ainda estão muito fechados neles mesmos. O Brasil tem que liderar, por suas dimensões, mas fica muito fechado nas questões nacionais."

Na visão de Mujica, o governo brasileiro deve exercer a liderança regional no desenvolvimento de uma infraestrutura integrada, na definição de uma política energética comum e no auxílio ao desenvolvimento econômico dos países da região.

"Ficamos com uma visão da época do neoliberalismo, quando o comércio era a única questão central", avaliou o uruguaio. "E, por esse lado, não vamos nos integrar nunca."

Apoio e oposição

De acordo com as últimas pesquisas realizadas no Uruguai, o principal adversário de Mujica é o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, do Partido Nacional. Pedro Bordaberry, do Partido Colorado, aparece em terceiro lugar nas pesquisas, e o candidato independente Pablo Mieres é o quarto, com menos de 5% das intenções de voto.

País com cerca de 3 milhões de habitantes, o Uruguai registrou expansão da economia e redução da pobreza durante a gestão de Tabaré Vázquez.

O candidato a vice na chapa de Mujica é o ex-ministro da Economia de Vázquez, Danilo Astori, que inicialmente era apontado como o nome preferido pelo presidente para sucedê-lo.

A oposição a Vázquez condena projetos aprovados pelo atual governo como o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Se eleito, Mujica diz que planeja dar continuidade às reformas realizadas pelo governo atual.

"O pior que existe é não reconhecer a realidade", afirmou o candidato. "Os fatos mostram que existem casais homossexuais, e não vejo porque exista discriminação. É uma coisa natural. Discriminar é uma atitude conservadora, reacionária."

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