Gbagbo concorda em suspender cerco ao redor de gabinete temporário de rival reconhecido internacionalmente como presidente do país

O líder da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, aceitou nesta terça-feira negociar, sem impor condições, um "fim pacífico" para o impasse político em seu país. De acordo com o presidente do bloco regional de nações oeste-africanas (Ecowas), James Victor Gbeho, Gbagbo concordou em suspender o cerco em volta do gabinete temporário de seu adversário político, Alassane Ouattara, o presidente eleito.

Soldado da ONU passa por cartaz de Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como presidente eleito em votação de novembro
AP
Soldado da ONU passa por cartaz de Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como presidente eleito em votação de novembro
"Ele também prometeu suspender imediatamente o cerco ao Hotel du Golf, o gabinete temporário de Ouattara, o presidente eleito", disse Gbeho. "Por sua vez, Ouattara indicou que quer garantir uma saída digna para Gbago, desde que ele aceite o resultado da eleição presidencial, declarado pela comissão eleitoral independente e certificado pelas Nações Unidas."

Gbeho, porém, afirmou que uma intervenção militar na Costa do Marfim ainda é uma opção se fracassarem as negociações para que Gbagbo ceda o poder. "A opção militar está sempre sobre a mesa", disse. Instalado no palácio presidencial, Gbagbo está sob a ameaça desde 24 de dezembro de uma operação militar, atualmente em preparação, pelo grupo, que reúne 15 Estados da região.

Ouattara foi reconhecido internacionalmente como vencedor das eleições presidenciais de novembro, apesar de ele e de Gbagbo, que tentava a reeleição, terem se declarado vencedores e participado de cerimônias de posse quase simultâneas.

No entanto, Ouattara e seu primeiro-ministro, Guillaume Soro, continuam presos em um hotel na capital marfinense, Abidjan, protegidos por tropas da ONU.

Visita

A declaração de Gbagbo foi feita depois de uma visita à Costa do Marfim dos presidente Bony Yayi, do Benin, Pedro Pires, de Cabo Verde, e Ernest Bai Koroma, de Serra Leoa, que representam o Ecowas. Essa foi a segunda visita dos presidentes a Abidjan em menos de uma semana. Na segunda-feira, além deles também visitou o país o primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, representando a União Africana.

Mas, nesta terça-feira, o Ecowas pediu outra visita de uma delegação à Costa do Marfim "o mais rápido possível" e pediu também que os dois lados da política do país "evitem qualquer ato que possa agravar uma situação que já é crítica".

Apesar do apelo, dois guardas de segurança da sede em Abidjan do opositor Partido Democrático da Costa do Marfim (PDCI) morreram em um ataque executado por desconhecidos fortemente armados e vestidos com uniformes militares, informou a imprensa.

Quase 20 mil pessoas fugiram do país após as eleições de novembro, na maioria mulheres e crianças, temendo mais violência. As eleições de novembro tinham o objetivo de estimular a união nacional após a guerra civil de 2002 que dividiu o país, o maior produtor mundial de cacau, em dois.

*Com BBC, EFE e AFP

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