Istambul, 27 jul (EFE).- O líder do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) Abdullah Öcalan anunciou, da prisão, que em 15 de agosto divulgará uma iniciativa para uma solução diplomática ao conflito curdo.

"Já não sou como antes. O passado ficou para trás. O Estado (turco) também não poderá ser nunca mais o que era", afirma Öcalan em sua última mensagem divulgada da prisão de Imrali, onde está desde que foi preso no Quênia, em 1999.

Segundo o diário nacionalista "Hürriyet", que teve acesso ao plano de Öcalan, o caminho consiste em forjar uma aliança entre a Turquia e os curdos, mudar a atual Constituição - redigida por uma Junta Militar - e respeitar os direitos culturais da minoria.

"Antes pensava que o problema podia ser resolvido dentro do socialismo real. Mas já se viu como terminaram Rússia e o Cáucaso. E o socialismo chinês não faz mais que servir aos interesses dos Estados Unidos", afirma o líder do PKK.

Declarado terrorista pela Turquia, a União Europeia e os Estados Unidos, o PKK surgiu como um grupo marxista, mas parece ter se afastado da ideologia com o passar dos anos.

Desde o início da luta armada contra o Estado turco em defesa dos 12 milhões de curdos do país, morreram mais de 40 mil pessoas.

Embora já não dirija diretamente o PKK, Öcalan é considerado o chefe histórico do nacionalismo curdo na Turquia, e muitos esperam dele uma chamada para que os militantes deixem as armas.

As coisas parecem se movimentar nessa direção, tanto dentro do movimento curdo, como também no Estado e no Exército turco.

Pela primeira vez, o Governo e o Exército parecem estar de acordo que o problema curdo não pode ser solucionado de forma militar, mas que são necessárias também medidas sociais, econômicas, políticas e culturais. EFE amu/rr

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