Líder curdo do PKK ameaça alvos turcos, em entrevista à BBC

O chefe rebelde curdo da Turquia, Murat Karayilan, advertiu, há várias semanas, sobre uma possível campanha de ataques contra alvos econômicos e militares turcos, informou a rede BBC, nesta segunda-feira.

Redação com AFP |

A emissora divulgou uma entrevista com o líder do braço armado do Partido dos Trabalhadores do Kurdistão (PKK, separatistas curdos da Turquia), que teria sido gravada há várias semanas, nas montanhas de Qandil, no norte do Iraque, mas não especificou a data.

"É possível que comecemos uma campanha de ataques contra alvos econômicos e militares em cidades da Turquia", disse Karayilan, de acordo com a tradução feita pela emissora BBC de suas declarações.

"Se seus soldados continuarem a nos atacar, estamos prontos para fazer isso (lançar os ataques)", acrescentou.

Hoje, o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, acusou o PKK, implicitamente, de estar por trás de um duplo atentado no domingo , em Istambul, que deixou 17 mortos, afirmando que eram o "custo" da campanha militar turca contra os rebeldes.

O PKK negou ter organizado o duplo atentado.

Quem são os curdos e o PKK

Os curdos formam um grupo étnico que vive no Oriente Médio espalhados pelo norte do Iraque, sudeste da Turquia e partes da Síria e do Irã. Falam a mesma língua e têm a mesma religião e costumes culturais. Apesar dessa região ser comumente chamada de Curdistão, o Estado independente curdo não existe. O tamanho dessa população é incerto, mas estima-se que esteja entre 27 e 36 milhões de pessoas.

Os curdos que vivem na Turquia tentaram sua independência com o fim do império Otomano, após o fim da Primeira Guerra Mundial, mas fracassaram. Durante todo o século 20, revoltas curdas foram esmagadas na Turquia e no Iraque, principalmente sob o domínio de Saddam Hussein.

Criado em 1978, o PKK lançou em 1984 sua luta armada pela criação de um Estado curdo independente e intensificou suas operações depois de pôr fim, em 2006, a uma trégua unilateral. Segundo um balanço oficial, o conflito provocou mais de 37 mil mortos. O partido é considerado um grupo terrorista pela Europa e pelos Estados Unidos.


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