Líder brasileiro na OEA critica seu afastamento do Haiti

Ricardo Seitenfus liderava ação da Organização dos Estados Americanos no país e disse que sua saída foi ¿contraproducente¿

Priscilla Borges, iG Brasília |

Graduado em relações internacionais e história (e com doutorado na área) pela Universidade de Genebra, na Suíça, Ricardo Seitenfus representou, durante dois anos, a Organização dos Estados Americanos (OEA) no Haiti. Por causa de uma entrevista a um jornal do país que lhe bancou estudos, na semana passada o brasileiro foi afastado da missão no país caribenho. Seitenfus, na ocasião, criticou a postura da comunidade internacional no Haiti, especialmente pela quantidade de soldados no local.

Seitenfus participou da cerimônia de posse do novo ministro das Relações Exteriores , Antonio de Aguiar Patriota, evento que marcou também a despedida de Celso Amorim, do cargo e da carreira diplomática. Depois de receber um longo abraço de Amorim, que afirmou aos jornalistas que Seitenfus tinha um “coração maior do que o espírito” e era, muitas vezes, incompreendido, o ex-representante da OEA desabafou.

“Foi contraproducente (seu afastamento). Encurtaram meu mandato, que terminaria no dia 31 de março. O assunto (a entrevista ao jornal suíço) teve grande repercussão. É uma tentativa de calar algo que é impossível de ser calado, que é aspiração do Haiti de recuperar sua soberania, sua autonomia e sua dignidade”, afirmou.

Seitenfus admitiu que não esperava tanta repercussão em torno de suas declarações. “Eu não falei inverdades”, continuou. Para ele, o país caribenho sofre com a presença de tantos militares internacionais. “O Haiti não precisa de tantos soldados. Precisa de engenheiros e técnicos para o desenvolvimento econômico do país. O Haiti precisa de respeito, não pode simplesmente ser objeto da sua própria história. Tem de estar no centro da sua história”, disse.

O ex-representante garante que sua opinião não é isolada. “São reflexões que não retratam somente a minha opinião, mas a percepção de muita gente que não tem voz. Eu fui o porta-voz deles”, ressaltou.

    Leia tudo sobre: relações internacionaishaitiOEA

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG