Líder atípico, Kirchner é nomeado secretário-geral da Unasul

Natalia Kidd. Buenos Aires, 4 mai (EFE).

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Natalia Kidd. Buenos Aires, 4 mai (EFE).- A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) consagrou hoje como primeiro secretário-geral do organismo o ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner, um líder atípico que não gosta de cúpulas, é reticente a compromissos diplomáticos e tem pouca popularidade em seu próprio país. Seu novo papel de liderança regional o obrigará a deixar seu assento na Câmara dos Deputados argentina, que ocupa desde dezembro. O "pinguim", como é chamado na Argentina, por sua origem sulista, tem uma forte personalidade e um discurso sem rodeios, que geraram muitos conflitos internos e internacionais. Kirchner deverá adaptar-se a seu novo papel, que, segundo o tratado constitutivo da Unasul, exige que ele tenha "dedicação exclusiva", não aceite instruções de nenhum Governo nem entidades alheias ao bloco e se abstenha "de atuar de forma incompatível" com sua condição de funcionário internacional. Mas como o tratado ainda não está vigente, formalmente, Kirchner poderá continuar lidando com o panorama político doméstico como cacique do governante Partido Justicialista (PJ, peronista) e se candidatar nas eleições presidenciais de 2011, para a qual terá que se esforçar para reverter sua perda de popularidade no país. Seu desempenho em suas novas funções regionais é uma incógnita, mas, sem dúvidas, a transferência da sede da Unasul do Equador para a Argentina facilitaria seu trabalho. Kirchner, de 60 anos, chegou à Presidência argentina em 2003, depois que Carlos Menem desistiu de concorrer com ele em um segundo turno. O até então governador da província de Santa Cruz , no sul, se tornou presidente com 22,7% dos votos, com fama de bom administrador público, ideal para um país que no final de 2001 sofreu uma das piores crises econômicas de sua história. Advogado de profissão, Kirchner governou Santa Cruz, uma rica e desabitada província, ininterruptamente desde 1991. Durante sua carreira política, exerceu diferentes cargos nos quadros de condução nacional do PJ e representou o partido na convenção que reformou a Constituição em 1994. Como presidente, apoiado por setores sindicais e populares, trouxe a economia do país de volta ao crescimento. Manteve uma ríspida relação com empresários, organismos multilaterais de crédito, Igreja e imprensa, enfrentou a oposição e fracassou em sua tentativa de conseguir um acordo "transversal", alimentado por aliados de setores progressistas. Também se caracterizou por um tratamento "sem intermediários" com os dirigentes governistas, o que permitiu que construísse um poder quase hegemônico dentro do peronismo. Depois de ter alcançado um nível de popularidade de 65% em dezembro de 2007, entregou o poder a sua esposa, Cristina Fernández de Kirchner, vencedora das eleições de outubro do mesmo ano. Mas os sucessivos conflitos no Governo de Cristina, detonados pelo enfrentamento com o setor agropecuário em 2008, minaram a imagem positiva do casal presidencial. Esta queda ficou evidente nas eleições de junho, quando Kirchner liderou a candidatura governista a deputados na província de Buenos Aires e foi derrotado pelo peronista dissidente e empresário de origem colombiana Francisco de Narváez. A derrota o levou a renunciar à Presidência do PJ, mas, em março, reassumiu com promessas de trabalhar como "um soldado a mais", para que o peronismo alcance uma "grande vitória" eleitoral no ano que vem. EFE nk/pd

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