Líder argentina defende paz no aniversário da Guerra das Malvinas

Cristina Kirchner visita Ushuaia e defende luta pacífica por soberania das ilhas controladas pelo Reino Unido

iG São Paulo |

Reuters
A líder da Argentina, Cristina Kirchner, atira flores ao mar em Ushuaia, que o país considera ser capital das Malvinas
A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, defendeu a paz e os direitos humanos durante um discurso nesta segunda-feira para marcar o aniversário da Guerra das Malvinas , travada com o Reino Unido e que começou em 2 de abril de 1982. Cristina lançou rosas ao mar em Ushuaia, capital da província da Terra do Fogo, considerada a capital das Malvinas pelo governo argentino.

Trinta anos após o confronto militar entre britânicos e argentinos, Cristina disse que seu governo “respeita os interesses” dos moradores das Malvinas enquanto luta para retomar o controle da região pacificamente. “Não usamos capacetes militares”, disse Cristina. “Nossos únicos capacetes são de homens que trabalham pela inclusão de todos.”

Infográfico: Entenda a disputa entre Reino Unido e Argentina pelas Malvinas

O discurso foi feito em frente a um monumento erguido em homenagem às 655 vítimas argentinas do conflito, que também matou 255 soldados britânicos.

A segunda-feira foi marcada por homenagens nos dois países. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que o Reino Unido agiu em defesa dos moradores das Malvinas em 1982 e fará o mesmo se qualquer pessoa tentar impedi-los de ter liberdade.

"Há 30 anos, o povo das Ilhas Falklands (como as Malvinas são chamadas no Reino Unido) sofreram um ato de agressão que quis roubá-los das suas liberdades e do seu modo de vida", disse Cameron. "Hoje é um dia de comemoração e reflexão: um dia para lembrar todos aqueles que perderam suas vidas no conflito - os integrantes das nossas Forças Armadas, assim como os argentinos que morreram."

Ele prestou homenagem ao que chamou de "heroísmo" dos soldados britânicos que libertaram as Malvinas da Argentina, e disse que o Reino Unido está orgulhoso de "corrigir um erro profundo".

Cristina classificou o pronunciamento de Cameron de “absurdo” e “ridículo”, argumentando que os argentinos também estavam privados de sua liberdade na época, já que a ditadura militar durou entre 1876 e 1983. “Me orgulho de ter feito da defesa dos direitos humanos um dos pilares do nosso Estado”, afirmou. “Por isso, é impossível considerar que a Argentina não protegeria os direitos dos três mil moradores da ilha.”

A guerra começou com uma invasão argentina das Malvinas no dia 2 de abril de 1982 e desde o ano seguinte os britânicos controlam a região. Mas os argentinos dizem que o território pertencia à Espanha e foi herdado pelo país sul-americano com a sua independência.

A Argentina solicitou a abertura de negociações sobre a soberania das Ilhas Malvinas, mas o governo britânico diz que não há nada para se discutir, se não houver consentimento dos moradores.

O Reino Unido acusa a Argentina de tentar impor um bloqueio à população local, depois de proibir embarcações com a bandeira de Falklands em seus portos. A medida também foi adotada pelos demais países do Mercosul. Já os argentinos acusam os britânicos de militarizar o Atlântico Sul, depois que foi divulgado que um dos navios de guerra da Marinha britânica será enviado à região.

A derrota das forças argentinas no conflito contribuiu para o fim do regime militar liderado pelo general Leopoldo Galtieri, que foi preso acusado de "incompetência" na guerra. A premiê britânica na época, Margaret Thatcher, não participará de nenhum dos eventos desta segunda-feira, devido aos seus problemas de saúde.

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