Líder alemã questiona Vaticano por readmitir bispo

A chanceler alemã Angela Merkel disse que os esclarecimentos do Vaticano sobre a readmissão de um bispo que nunca reconheceu a extensão total do Holocausto não foram suficientes. Na minha opinião, esses esclarecimentos ainda não são suficientes, disse Merkel.

BBC Brasil |

A declaração da líder alemã é uma reação à decisão do papa Bento 16 de revogar a excomunhão do bispo Richard Williamson.

O bispo ficou conhecido por declarar que as câmaras de gás nunca existiram durante o regime nazista.

Bento 16 optou por se distanciar do assunto e expressou "completa e inquestionável solidariedade" aos judeus.

Conseqüências
"Isso não deveria passar sem conseqüências", disse Merkel em uma entrevista coletiva em Berlim.

"Na minha opinião, isso não é uma questão apenas para as comunidades cristã, católica e judaica na Alemanha, e o papa e o Vaticano deveriam esclarecer sem ambigüidade que não pode haver uma negação (do Holocausto)", acrescentou.

Em novembro último, o bispo Williamson, nascido na Grã-Bretanha, provocou a ira de líderes judeus no mundo quando disse na televisão sueca: "Acredito que não havia câmaras de gás (durante a Segunda Guerra Mundial)".

Na ocasião, Williamson também disse acreditar que até "300 mil judeus morreram em campos de concentração nazistas, mas nenhum em câmaras de gás".

Fraternidade
O sacerdote foi um dos quatro bispos, integrantes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que tiveram sua excomunhão foi suspensa pelo papa no mês passado.

A fraternidade foi fundada por um arcebispo francês, Marcel Lefebvre, em 1970, em protesto contra as reformas do Segundo Conselho do Vaticano envolvendo liberdade de expressão e pluralismo.

O Vaticano disse que não estava ciente das opiniões do bispo Williamson a respeito do Holocausto quando tomou a decisão de readmitir os quatro sacerdotes.

Cerca de 6 milhões de judeus foram mortos durante o Holocausto.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG