Líder afegão diz que ataque contra xiitas teve origem no Paquistão

Hamid Karzai prometeu que irá conversar com o governo paquistanês sobre o atentado e que não pode 'ignorar o sangue das vítimas'

iG São Paulo |

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, afirmou que o ataque realizado contra xiitas em Cabul foi originado no Paquistão e ressaltou que irá conversar com o governo do país vizinho sobre o atentado, que deixou 56 mortos.

No mesmo dia em que o presidente afegão visitava as vítimas do atentado de terça-feira no Hospital de Emergências da capital do país, uma nova explosão em uma estrada da província de Helmand, ao sul, deixou 19 mortos.

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Presidente afegão Hamid Karzai cumprimenta garota afegã ferida no ataque em Cabul, enquanto visita vítimas no Hospital de Emergências da capital

O ataque sectário de terça-feira foi o maior desse tipo desde a queda do regime do Taleban há dez anos, aumentando os temores de que o conflito esteja ganhando uma dimensão sectária, com insurgentes confrontando minorias étnicas, como os Hazara, que são de maioria xiita e apoiam o atual governo e os parceiros ocidentais.

Um homem se dizendo do grupo Lashkar-e-Jhangvi al-Alami, uma facção dissidente paquistanês do grupo Lashkar-e-Jhangvi, que perpetrou ataques contra xiitas islâmicos no Paquistão, reivindicou a vários meios de comunicação a responsabilidade pela explosão da bomba em Cabul, que deixou 56 mortos.

Apesar de não dar detalhes, Karzai afirmou acreditar que essa informação seja verdadeira. "Nós estamos investigando esse caso e vamos conversar com o governo paquistanês sobre isso." Ele disse que o atentado não era apenas contra os muçulmanos, mas contra a humanidade.

"O Afeganistão não pode ignorar o sangue de todas as vítimas desse incidente, especialmente o das crianças", acrescentou. Karzai cancelou uma viagem que faria pela Europa e retornou a Cabul na manhã desta quarta-feira por conta do atentado.

Nos últimos meses, o líder afegão tem sido mais crítico ao Paquistão, país com o qual compartilha uma extensa fronteira e que tem uma longo histórico de abrigar insurgentes do Afeganistão. Suas acusações ocorrem ao mesmo tempo em que as relações do Paquistão com os EUA entram em uma crise crescente.

O Taleban condenou o ataque de terça-feira, em comunicado divulgado para a imprensa.

O porta-voz militar paquistanês Athar Abbas descartou a possibilidade levantada de que o Lashkar-e-Jhangvi teria ligações com a agência de inteligência do país ou que o govrno não está fazendo tudo o que pode para anular o grupo.

"Lashkar-e-Janghvi declarou guerra às forças de segurança do Paquistão", afirmou à Associated Press. Ele disse que o grupo também realizou atentados contra a agência de segurança do país. "Eles estão sendo caçados."

Os Estados Unidos pediram ao Paquistão que mostre uma reação firme contra o grupo Lashkar-e-Jhangvi al-Alami. O porta-voz do Departamento de Estado Mark Toner confirmou que há cidadãos americanos entre as vítimas dos ataques.

A explosão da bomba no santuário de Cabul e um segundo ataque contra uma procissão xiita na cidade de Mazar-i-Shariff, que deixou quatro mortos, aumentam as preocupações de que o Afeganistão, que já é um país violento, enfrente também um conflito religioso.

Os xiitas comemoravam na terça-feira a Ashura, procissão que marca o luto pela morte do imã Hussein, neto do profeta Maomé.

A comunidade xiita do país representa cerca de 20% de uma nação com 30 milhões de habitantes. Os sunitas extremistas consideram que os xiitas não são verdadeiros muçulmanos, porque suas tradições se diferem da maioria, mas o Afeganistão tem um histórico de divisão e confrontos por conta da etnia e não pela religião. A maior parte dos ataques no país tem como alvo o governo, ou as forças de segurança internacionais e seus aliados.

No mesmo dia em familiares das vítimas se reuniram para vários funerais em Cabul, uma bomba colocada em uma estrada deixou ao menos 19 civis mortos em Helmand , ao sul do Afeganistão. Pelo menos cinco crianças estão entre as vítimas desse atentado de quarta-feira, que deixou seis feridos.

AP
Afegãos enterram vítimas de ataque contra xiitas em Cabul, no Afeganistão

Nenhum grupo assumiu responsabilidade pela explosão, que aconteceu quando um micro-ônibus passava por uma estrada de Helmand, província do distrito de Sangin, considerado um reduto do Taleban.

Em Cabul, as famílias em procissão fúnebre em um cemitério xiita no oeste da capital, que ficou lotado devido ao número de mortos do ataque de terça-feira, se revoltaram com o atentado. “Matar muçulmanos em frente ao santuário sagrado é inacreditável”, disse Mohammad Nahim, 35 anos, que participou da homenagem.

“O homem que tinha uma loja na rua da minha casa, o homem de quem comprava legumes, foi morto”, lamentou.

Com AP

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